quinta-feira, 26 de julho de 2012

A DITADURA DA FELICIDADE



Vinha pensando neste assunto esta semana e fiquei ainda mais interessada quando Pedro Bial anunciou o tema do seu programa (sempre o tive na conta de repórter inteligente, ainda que tenha visto como desvio seu enveredar pelos caminhos do Big Brother). A tal ditadura da felicidade parece de fato existir (um pequena olhada nas redes sociais, por exemplo, cria a ilusão de um mundo perfeito, de pessoas que têm apenas coisas boas a dizer) e me pergunto se ela não é necessária. A angustia, às vezes patológica, que as pessoas desenvolvem ao se verem obrigados a encarar suas tristezas me parece natural. A única questão é que momentos ruins fazem parte da vida e não dá para simplesmente fingir que não existem; muitas vezes representam um rito de passagem e precisam ser vividos em sua plenitude como se numa catarse.

Ditadura significa poder absoluto, despotismo. Qualquer coisa que passe pela tirania já tem motivo para ser rechaçada, portanto levar as pessoas a sufocarem suas tristezas para não as trazerem a público é inaceitável. É preciso ficar o tempo inteiro mostrando uma felicidade como se numa eterna propaganda de margarina? As emoções tidas como negativas também impulsionam o homem - sentir raiva e rebelar-se diante de injustiças já fez grandes revoluõçes.Tem que haver espaço sim para a vida de verdade, para as pessoas de carne e osso. Não bastasse a necessidade visceral de expor algumas feridas, o ser humano ainda é capaz de ter momentos profundamente inspirados quando estão entregues a suas melancolias.

E tem mais – é possível definir o que é felicidade? Como se pode ditar regra sobre algo tão impalpável e relativo? Cada um tem sua própria noção de felicidade e constrói a sua história a seu modo. Aqui não cabem fórmulas ou receitas prontas; é totalmente sem script. Ser feliz pode ser ebulição ou calmaria, euforia ou sossego, agitação ou ócio. Pode estar em realizações pessoais ou profissionais. Pode vir suavemente ou ser fruto de grandes batalhas. Eis o seu elo com a tristeza, como face de uma mesma moeda. Afinal quem poderá dizer reconhecer o paraíso se não faz idéia do que seja o contrário.

Se é para ditar ordens, vamos exercitar a tolerância. Se é para seguir um roteiro, vamos ser mais verdadeiros. No final vale a máxima “viva e deixe viver”... e seja feliz! 

quinta-feira, 19 de julho de 2012


Vinte e cinco anos de idade, mas olhar sincero e o sorriso ingênuo revelam uma criança. De longe fita com cuidado, se a empatia for verdadeira se aproxima, caso contrário repele com fervor desconcertante. Estaria aqui ou em um lugar distante, como que sonhando acordada? Será que enxerga mais do que os simples mortais? Definitivamente há algo de enigmático por trás daquela face por vezes inexpressiva, contudo a poucos é dada a possibilidade de desvendá-lo.


De repente o passado se insinua como se fosse um filme. É possível ver aquela pessoa ao nascer, sua mãe talvez não estivesse preparada, afinal com seu bebê ia ser tudo diferente. Muniu-se da única arma possível; o amor. E juntos percorreram um caminho de muitos obstáculos e desafios, mas também de um aprendizado incomparável. O mundo lhe dizia todo o tempo que aquela pessoa pela qual se desdobrava era diferente. Diferente de quem? Quem é a perfeição de referência? Em princípio até que comprou esta história, mas com o passar dos dias percebeu que sua criança tudo podia dependendo do estímulo que lhe era dado. Tinha seu próprio ritmo, é verdade, mas alcançava seus objetivos a seu modo. Daí em diante nada segurou a dupla. É óbvio que a trajetória vai muito além da dedicação financeira para bancar terapias específicas, muitas vezes tratamentos médicos, exige um comprometimento verdadeiro, mas pensando bem, qual o pai ou mãe não precisa desta intensidade? E foi encarando a situação com naturalidade que toda a família se envolveu na criação daquele membro tão valoroso quanto os outros. Aos que insistem em rotulá-los de diferentes, esta é mais uma família que comprova: pensando bem são diferentes mesmo – diferentes na capacidade de amar sem pedir nada em troca, diferentes na sinceridade em tudo que fazem, diferentes no impacto positivo que geram em seus lares.


Alguns se referem a esta condição como o cromossomo do amor, tamanho o sentimento que aflora de seus portadores e pessoas ao seu redor. A trissomia do cromossomo 21, também conhecida como Síndrome de Down, não escolhe credo, raça ou classe social. Com ela nascem vários níveis de comprometimento físico e mental, os quais com frequência requerem tratamentos específicos. O dia-a-dia da criança portadora é certamente trabalhoso, não muito distinto das outras. Não é fácil de ser encarada, porém é um desafio recompensado diuturnamente. E eles estão por aí crescendo, adolescentes e adultos que vivem como os demais, com dilemas e incertezas. Passados vinte e cinco anos, vê-se o quanto a sociedade mudou, o quanto as questões relacionadas à inclusão são discutidas e de fato se consegue ter uma vida plena nos dias de hoje. Por outro lado vê-se que ainda há muito o que melhorar e o principal está numa mudança genuína de comportamento. Aqueles que têm filhos não portadores da síndrome tem importância enorme nesta questão à medida que ensinam o respeito às diferenças e apoiam estas iniciativas. Ganha todo mundo, pois a convivência com estas crianças abre um mundo de possibilidades. As políticas públicas para o enfrentamento da questão também precisam ser exigidas. Quando de fato abrirem-se os corações e o acolhimento for natural o enigma estará desvendado.

domingo, 8 de julho de 2012

ENQUANTO VOCÊ CRESCIA



Sabe aquilo que todo mundo repete quando se tem filhos pequenos? “Pena que crescem tão rápido!” Ouço muito isto.  Para dizer a verdade o tempo inteiro, e de tanto ouvir, introspectei desde cedo que ia aproveitar cada minutinho com as minhas crias. Esta vem sendo a prioridade número 1; na corrida do trabalho, da vida cotidiana, das incursões artísticas, dos estudos ou do lazer, o foco é nelas. Ainda assim, numa pestanejada rápida abri os olhos e me dei conta do quanto elas cresceram.


Naquela fração de segundo pensei em algo para lhe falar. Precisava desesperadamente lhe contar o que andei fazendo enquanto você crescia. Durante esses anos tentei com afinco lhe mostrar o valor da verdadeira amizade. Esforcei-me para lhe fazer discernir entre o certo e o errado. Trouxe para você a companhia dos livros pensando em lhe abrir os horizontes, e com eles a importância dos estudos para conseguir de fato ser livre. Exercitamos o poder do afago e da gentileza. Constantemente borbulha no meu peito aquelas angústias –“será que estou fazendo certo?”, “será que o resultado vai ser bom?” Na verdade o que queria mesmo era ficar grudada em você o tempo inteiro, mas a razão me impele a lhe dar as ferramentas para um caminho de autonomia e autoconfiança. Queria lhe dizer que em todos os momentos, desde aquele primeiro instante em que trocamos um olhar, desejei sempre, como toda mãe, que você fosse muito feliz. Imaginei formas de fazer isso acontecer, como se estivesse em minhas mãos. Talvez hoje já me sinta bem insegura quanto a possibilidade de tomar as rédeas do seu futuro, mas nunca descerei desse vôo cego de ave-mãe semeando flores em seu caminho. Como se a felicidade fosse um destino de viagem, pus-me a arrumar suas malas. Coloquei nela vários nãos que lhe disse ao longo do tempo para que aprendesse a ter limites; muito sim também porque a vida tem que lhe sorrir; um tanto de fé em Deus para você ter certeza de que nada lhe faltará; retidão de caráter para seguir em frente com integridade; bons exemplos para ter sempre uma referência; respeito ao próximo para buscar viver em harmonia; e claro, enchi todos os cantinhos com o mais genuíno amor que lhe declaro todos os dias. Com isso, apesar de não garantir uma viagem sem turbulências, sei que vai ser capaz de enfrentar qualquer desafio, principalmente o de construir o que você queira chamar felicidade.


E por falar em felicidade, para a minha própria, constato que vi bem o tempo passar, acompanhando de perto cada progresso na vida destas que me são tão caras, fitando com toda força o reloginho da vida na vã esperança de fazê-lo andar mais devagar. Luta inglória, esta! Já que você tem que crescer, quero assistir, não de camarote, pois mãe que é mãe cai na pista.

terça-feira, 26 de junho de 2012

HABILIDADES MANUAIS



Já pensou em fazer algo você mesmo? Colocar as mãos na massa como se diz por aí? Pois é, muita gente diz não possuir habilidades manuais, mas tenho pensado que tudo depende do estímulo.

A psicomotricidade é estudada há muito tempo. Sabe-se que durante o desenvolvimento da criança as habilidades vão sendo adquiridas aos poucos e que a qualidade e velocidade deste aprendizado estão diretamente relacionados aos estímulos externos. No contexto da educação infantil isto está atrelado a oferecer diversidade de experimentações, sejam elas sonoras, táteis ou visuais. Já na escolha do quarto do bebê se pode promover um ambiente enriquecedor, seguindo-se para a escolha dos brinquedos e utensílios. É através da motricidade que a criança descobre o mundo. Alguns autores postulam que a educação psicomotora condiciona o processo de alfabetização pois leva a criança a tomar consciência do seu corpo, da lateralidade, a situar-se no espaço, dominar seu tempo e adquirir coordenação dos seus gestos e movimentos. Para a alfabetização a educação psicomotora é muito importante uma vez que ajuda na concentração e na distinção entre letras e sílabas (Molinari e Sens, 2002).

Ao chegar na vida adulta a maioria de nós desenvolveu o básico, ficando aqueles premiados criativos com uma habilidade manual incrível, capazes de transformar coisas às vezes simples e sem graça em pequenas obras de arte. Estes aí estão no topo da pirâmide, têm o que se costuma chamar de jeito para as coisas. Aos demais não resta apenas o desespero – é possível, com estímulo certo, fazer coisas bacanas. A necessidade também costuma ser um incentivo forte. As mulheres, em especial conseguem adquirir estas habilidades mesmo quando não lhe são inatas, talvez por um pouco mais de paciência e detalhismo do que a maioria dos homens. Outro dia uma amiga disse: "deixa eu ter um filho que vocês vão ver se eu não fao um monte de coisinhas!" Engraçado é que a maternidade é mesmo muito estimulante. São quartinhos decorados com primor, roupinhas originais e toda sorte de badulaques. se for mãe de menina, aí a imaginação corre solta.  Daí a sair inventando convites de aniversário, decorando mesas de guloseimas e criando as mais criativas lembrancinhas é um pulo.

Tudo isso para dizer que não existe ninguém incapaz de realizar. E produzir algo fruto de sua capacidade de criar é uma sensação maravilhosa. Então, mãos à obra! 

domingo, 17 de junho de 2012

SUSTENTABILIDADE – O QUE VOCÊ TEM COM ISSO?


Nesta semana em que ocorre a Rio+20, conferência mundial sobre o meio ambiente, que leva esse nome por seguir o racional da conferência intitulada Eco92 (ocorrida também no Rio de Janeiro há 20 anos), borbulham discussões sobre as questões ambientais e temas correlacionados. Dentre estes, o tema sustentabilidade é sempre recorrente, às vezes parecendo algo bem distante, conversa de ecochato ou ecoxiita, ou até mesmo palavrório governamental sem conteúdo. Deste ponto a questionar o que de fato cada indivíduo tem com isso é um pulo. Talvez esse seja o ponto crucial para toda e qualquer mudança: conhecimento. E o questionamento é de onde se origina todo conhecimento.

O termo sustentabilidade foi alcunhado pela primeira vez em 1987 pela norueguesa Gro Brundtland, e é descrito como “suprir as necessidades do presente sem afetar a habilidade das gerações futuras de suprirem as próprias necessidades.” Equivale a dizer que o uso dos recursos naturais para a satisfação de necessidades do presente não pode comprometer as gerações futuras, por isso, mais do que nunca, pensar em sustentabilidade é pensar nos filhos e netos, pois o aumento da população mundial e com ela o consumo exagerado, faz com que efeitos deste mal uso de recursos naturais chega cada vez mais precocemente. E não há como apostar que se trata de falácia. Aos olhos de todos está a escassez de água, os racionamentos de energia elétrica e as mudanças climáticas. A sustentabilidade se faz com três pilares; o social, o ambiental e o econômico, e portanto não adianta pender radicalmente para um deles; é preciso que os três convivam em harmonia e lucrem com as ações para que estas sejam consideradas sustentáveis. Conclui-se então que não se trata de uma guerra entre os setores citados, querer barrar o desenvolvimento das economias mundiais, e sim planejar-se para fazê-lo de maneira a manter o equilíbrio entre as partes.

Vinte anos se passaram e muita coisa não saiu do papel, muito ficou apenas no campo das idéias, mas a mentalidade das pessoas com certeza mudou, e hoje mais e mais cidadãos comuns se preocupam com as questões do meio ambiente em sua vida cotidiana. Ações concretas podem não ter acontecido no volume e velocidade desejados, contudo percebe-se um movimento francamente positivo, a exemplo do Código Florestal brasileiro, que a parte as controvérsias e polêmicas, além do jogo de interesses, revela uma mudança genuína de pensamento. Houve recente campanha que ficou conhecida como “Veta , Dilma!”, para tentar sensibilizar o poder público a vetar questões que foram modificadas na câmara, o que para os militantes ambientalistas viria a favorecer enormemente os latifundiários. Depois de passar pelo gabinete da Presidência da República algumas coisas foram de fato vetadas, não se alcançou a satisfação de todos os segmentos, mas enfim é um documento. Firma compromisso com um tema urgente. O site g1.com.br publicou recentemente diagrama a seguir, bastante esclarecedor do que representa este código florestal e do que foi vetado pela Presidência da República.







Quando se fala no uso dos recursos naturais com responsabilidade refere-se a preservar a biodiversidade e os ecossistemas naturais. Segundo o engenheiro escocês Michael Shaw, “o pico do uso do petróleo está nos levando a uma cultura de sustentabilidade, na energia, na produção de comida, nos transportes e na forma com lidamos com nossos resíduos”. Esta cultura, se introspectada, fará cada indivíduo mudar seu modo de agir, desde dentro dos lares até o consumo consciente, passando por exigir de seus legisladores e governantes tal tipo de compromisso. Atitudes como fechar as torneiras enquanto escova os dentes ou se ensaboa, apagar as luzes dos cômodos que não estão sendo usados, trocar lâmpadas incandescentes por fluorescentes (são um pouco mais caras, mas têm maior durabilidade e economizam até 60 % de energia), verificar o consumo o baixo de energia dos eletrodomésticos, dá destino correto ao lixo, pilhas e baterias de celulares, verificar a procedência daquilo que compra (usar papel reciclado e objetos de madeira de reflorestamento são formas de diminuir a necessidade de extração de recursos naturais) e racionalizar o seu transporte são formas de dar uma contribuição individual ao processo.

Além desse manejo do uso direto dos recursos naturais através da racionalização dos mesmos, há um ponto delicado nos dias de hoje, de consumo desenfreado; o consumo consciente. O Instituto Arayara, que mantém um portal com sugestões para se pensar a sustentabilidade (http://www.sustentabilidade.org.br), destaca importante trecho sobre este tópico -  “a sustentabilidade está relacionada aos modelos dos sistemas de produção e de mercado, que respondem livremente às demandas da sociedade. Havendo procura, haverá oferta. Portanto, as escolhas do consumidor podem definir um caminho na direção de um modelo que devasta o meio ambiente e gera desigualdade social ou de um modelo mais harmônico com as leis da vida. Poucos se dão conta desta relação sistêmica e de sua responsabilidade individual na hora de escolher um produto qualquer”. 

Está respondido o que você tem com isso? 


segunda-feira, 11 de junho de 2012

E AGORA, O QUE DIZER?


Todo mundo repete que criar não é fácil. No dia-a-dia você até que percebe o quão delicada é a missão, mas existem aquelas situações emblemáticas em que você tem que se posicionar e tal posição vai servir de referência crucial para seu filho. Exemplo disso é quando outra criança bate em seu filho. Não tem como não ficar chateado. Primeiro impulso depois de acalentar o seu é saber o que os pais do outro fizeram para coibir. Depois de saber as versões dos fatos, visto que o seu estava inocente na história, você se pergunta se está criando alguém demasiado pacato e que poderá virar um “saco de pancadas”. E agora, o que dizer?

Há muito tempo, mas talvez ainda mais nos dias atuais, a violência é uma preocupação para pais e educadores. A cultura da não-violência figura como importante pilar nas estratégias contra a criminalidade por entender que fomentar uma relação interpessoal pacífica é fator fundamental nesta busca. Tal cenário torna no mínimo delicada a tarefa de ensinar os filhos a se defenderem das agressões físicas que possam vir a sofrer.

Ensinar uma criança a se defender passa por aspectos diversos relacionados à sua postura diante dos seus pares, e inclui as situações de agressão física. Esta questão remete aos casos denominados atualmente como bullying, e levanta a dúvida sobre sua ocorrência caso as vítimas estivessem mais preparadas. Trata-se de autoconfiança e autoestima elevados, coisas que podem e devem ser estimuladas em casa. Muito antes de focar na situação concreta de defender-se de uma agressão, deve-se focar na aceitação das diferenças, nas possibilidades de convivência harmoniosa com as outras crianças, de não ser o agente da violência. Ainda vale a máxima de que violência gera violência, portanto deve-se deixar bastante claro que é melhor privilegiar o diálogo em detrimento de sair para o ataque. Por outro lado é importante ensinar a criança que ninguém tem o direito de agredí-la física ou moralmente, e consequentemente ensiná-la como se comportar se isso acontecer. Se defender não quer dizer tornar-se um valentão ou espancador, e sim evitar ser agredido, saber se colocar. Esse diálogo entre pais e filhos exige cautela porque corre-se o risco de apenas incitar mais violência. Para as crianças menores, que por todo tempo estarão sob supervisão de um adulto pronto a intervir, poderá ser mais fácil aprender a se impor verbalmente, deixando claro que não aceita dada agressão. A resposta do outro é uma forma de colocar limite, e o adulto precisa mostrar que existem consequências para tais atos. A forma como o adulto lida com situações semelhantes vai falar muito mais alto do que qualquer discurso vazio. 


No dilema em questão a resposta depende de cada situação particular, nível de agressão, frequencia com que ela acontece e idade das crianças. É preciso ficar atento a comportamentos repetidos e ciclos viciosos. Muitas atitudes podem ser tomadas: orientar a o"oferecr a outra face", orientar a não revidar e deixar claro que a situação o incomoda e é inaceitável (apenas o discurso funciona ou o coleguinha só será reprimido sabendo que ali não vai achar moleza?), Quem sabe o caminho do meio – se coloque contrário à agressão, não resolva seus problemas na base da violência, mas se te atacarem revide? (tipo “dou um boi para não entrar numa briga, mas uma boiada para não sair dela”). Resta trazer a pergunta de volta: e agora, o que dizer?



segunda-feira, 28 de maio de 2012

PROTEÇÃO AOS FILHOS - ATITUDE SAUDÁVEL VS COMPORTAMENTO PATOLÓGICO



Como dizem por aí, “na prática a teoria é outra”. Muito já foi dito sobre o quanto a superproteção pode ser prejudicial ao desenvolvimento das crianças, o quanto este comportamento as impede de vivenciar questões importantes para o seu amadurecimento e o quanto contribui para que se tornem adultos inseguros. Consigo facilmente identificar casos extremos, porém  existe uma gama de situações intermediárias que guarda uma linha divisória bastante tênue. Qualquer pai ou mãe deseja o melhor para o seu filho e muitas vezes nesta ânsia a barreira entre atitude saudável e comportamento patológico é ultrapassada. Mas como discernir o limite entre ambos?

Proteger os filhos é uma obrigação. Cuidar de sua integridade física e emocional, guiá-los no aprendizado do convívio social e ensiná-los a ter limites são formas de proteção. As concepções do que é importante para formar um ser humano íntegro sofrem interferências dos diversos tipos de arranjos familiares, mas em linhas gerais partilham os mesmos princípios. O outro lado que é a proteção física, também preocupa muito, e é bastante óbvia. A gente fica com um medo enorme das quedas quando estão aprendendo a andar, depois se cerca de cuidados ao escolher o transporte escolar (ou por outra acha que o mais seguro é levar no próprio carro), repete as mesmas recomendações duzentas vezes antes de deixa-los viajar com a turma, e assim por diante. Quando olhamos um mundo de tanta violência e falta de civilidade, crianças expostas a tantas ameaças, centenas de casos de pedofilia, é impossível não introspectar a sensação de que o perigo mora ao lado. Quem consegue ser cem por cento do tempo controlado e não ter nenhum comportamento no mínimo exagerado? Confesso que muitas vezes penso que é melhor pecar por excesso.

Especialistas apontam que o traço patológico aparece quando por mais que cuide do filho, o indivíduo mais teme que algo de mal lhe aconteça. O pai superprotetor tenta retirar os obstáculos do caminho dos filhos na intenção de tornar suas vidas mais fáceis. Por outro lado cobram muito dos filhos. Forma-se então, uma relação viciada, criando pequenos tiranos despreparados para a vida.

É no meio desta discussão que de vez em quando dou uma pirada. De novo: na prática a teoria é outra. Virou moda apontar erros na educação, afirmar que os pais modernos criam seus filhos em verdadeiras redomas. Para ser franca, acho mesmo que tenho que poupar minhas filhas de certos dissabores. Claro que sempre há o dilema; realmente raciocino que em dadas situações o mais enriquecedor para elas  é ser entregue ao ambiente relativamente hostil e dessa forma deixa-las aprender com seus próprios erros e acertos. Deixá-las experimentar para fazer seu próprio juízo das coisas, para se fortalecer mesmo diante das adversidades. Criar seres humanos com vocação para a felicidade é uma meta ambiciosa, mas quero seguir com ela. Talvez porque ainda estejam muito pequenas me sinta até confortável em oferecer minhas asas, mas vislumbro o futuro de duas adolescentes e depois duas mulheres e o quanto vou saber ir soltando as amarras?

Por fim, após refletir bastante sobre o assunto, não tenho resposta pronta, vou aprendendo à medida que as questões me são impostas. Percebo que felizmente ou infelizmente não existem fórmulas e que vou ter que ir tateando essas situações aos poucos. O que resta é me agarrar ao bom e velho bom senso (com perdão do trocadilho). Entre erros e acertos espero poder dizer que tudo valeu a pena.

sábado, 19 de maio de 2012

COMO SUBIR NO LUSTRE COM AS CRIANÇAS NO QUARTO AO LADO?




Uma decisão importante: casar. Muitos prós e alguns contras, mas com certeza curtir seu amor a toda hora é uma coisa que estimula bastante a dar tamanho passo. Pois é, vocês achavam que seria sexo todos os dias, de diversas modalidades, em todos os cômodos do novo apartamento (mesmo pequenininho, era todo de vocês). No começo até que deram um gás, mas como diriam os mais velhos, “tudo demais é sobra; e a sobra ninguém aproveita”. Não aproveitou, êis que o eixo gravitacional do casamento mudou. Provavelmente o instinto materno falou mais alto (sim, porque o instinto paterno, se vier, vem a reboque) e vocês decidiram que era hora das crianças chegarem.

Parênteses para a hora das crianças chegarem: para a maioria dos casais ter filhos é coroar a relação, e as crianças quando vem de fato preenchem uma lacuna que você sequer sabia existir. Com relação ao instinto paterno, se não é algo tão nativo como nas mulheres, em troca dá lugar a um amor tão imenso quanto, que nasce junto com os filhos. Tudo isso para dizer que as coisas mudam completamente. Fecha parênteses.

Sexo agora é uma verdadeira obra de estrategista; tem que observar bem  o horário do sono REM  da criança, verificar se as portas estão fechadas, manter os ouvidos mais atentos do que os de um perdigueiro e ao mesmo tempo se concentrar no outro, e mais importante de tudo; estar sempre pronto para sair correndo.

Diante de tal situação, como subir no lustre?

Simplesmente não se sobe. Arruma-se uma forma de "soltar suas feras" menos acrobática, mais silenciosa, e muitas vezes mais rápida. O desafio é preservar o mesmo entusiasmo de antes e neste ponto a cumplicidade é determinante. Quando o amor existe tudo é transponível e essa fase do casamento é vivida até com bom humor; as crianças inevitavelmente vão crescer. E sempre há espaço para umas saídas furtivas na noite e pequenas viagens de fim de semana. Nesta hora o lustre é todo de vocês.


domingo, 6 de maio de 2012

MULHER, CASADA, COM FILHOS PROCURA





A mulher encerra o dia de trabalho e planeja voltar para casa, dar uma atenção para a família e depois, mesmo que adentrando a madrugada, fazer pequenas tarefas e ter momentos para si; coisas pessoais, como mandar um e-mail, ler uma revista, terminar a lembrancinha do aniversário da caçula e se dar uma massagem com seus cremes noturnos. Só não contava ser vencida pela realidade dos fatos: superpoderes não existem, nem mesmo na multimulher.
 
Imagine a cena: chegou em casa, brincou com as crianças, fez a lição de casa, conseguiu colocar uma para dormir, deu o leitinho da outra, e sempre tem aquela criança notívaga que estica a conversa até mais tarde. Quando finalmente está sozinha percebe que está quase sem energia, mas estica a corda pelo menos para terminar aquele trabalho que trouxe para fazer em casa. O máximo que consegue depois é tomar uma ducha quente para tentar descansar, quase não tem coragem de passar os tais cremes, massagem nem pensar. E eis que cai na cama morta de cansada e é parcialmente ressuscitada por um “oi, meu amor”, bem descansado naquela mesma cama há horas.
 
Essa mulher, comumente encontrada nos lares a fora, corre o dia todo se dividindo entre as tarefas profissionais e domésticas. Algumas, talvez privilegiadas, podem voltar para almoçar com os filhos ou deixa-los na escola, e assim já ir mantendo a conversa em dia, além de se inteirar dos últimos acontecimentos. As que não podem se ausentar do trabalho observam a casa de longe e mantêm-se presentes através de ligações telefônicas. Seria cômico se por vezes não beirasse a tragédia, bem à moda de “mulheres à beira de um ataque de nervos”. Mas há sempre a recompensa por suas escolhas; se saber cumprindo com seu papel, desfrutando a alegria em família e valorizando o que realmente importa na vida.
 
Todas estas mulheres vão, ao seu modo, tentando equilibrar os pratos, verdadeiras artistas que são e seguem se reinventando a cada dia numa busca insana e interminável: mulher, casada, com filhos procura...TEMPO!





segunda-feira, 23 de abril de 2012

SUCESSO


O que significa sucesso?

Depende do ponto de vista.

De um modo geral as pessoas segmentam o que pode ser considerado sucesso no âmbito pessoal ou profissional.

Examinando o lado profissional percebem-se muitas formas de chegar ao  almejado topo:

Se for na música, sucesso pode ser ter sua canção como trilha sonora de uma dancinha do Neymar.  Para os mais exigentes, será ter a autoria de um clássico atemporal que embala muitas histórias (até porque o Neymar a cada gol faz uma dancinha diferente).

Caso seu oficio seja as artes cênicas, a idéia de sucesso pode se assemelhar ao que se descreveu para a música; ser uma estrela de 15 minutos na novela das oito ou um grande ícone jamais esquecido.

Para um jornalista o furo de reportagem poderá representar o ápice. Por outro lado, alguns podem perseguir a pesquisa mais aprofundada e a credibilidade do profissional que faz a diferença.

Para um super-herói salvar o mundo deve ser o símbolo maior do sucesso, mas de repente, para não perder a viagem, basta salvar uma mocinha indefesa.

Ah, e o que dizer do lado pessoal. São tantas as coisa que engrandecem o homem...

Neste sentido sucesso pode ser viver um grande amor.

Pode ser trilhar plenamente a maternidade ou realizar o sonho de ser pai.

Quem sabe passar por experiências que te desafiam e te instigam a ser cada vez melhor.

Ou simplesmente perceber-se satisfeito com tudo que já realizou na vida.

Olhando tudo isso com mais detalhe pode-se ousar a dizer que uma pessoa realmente de sucesso precisa ser bem sucedida nos dois aspectos.

Então que tal se inspirar e continuar na sua pequena batalha diária pelo seu sinônimo de sucesso? Ainda que isto signifique aquele treinamento exaustivo até a grande estreia, fracassos repetidos até a indescritível vitória, horas de trabalho intenso até aquelas tão sonhadas férias ou mesmo dias de saudade até os intermináveis abraços e beijinhos da chegada.