terça-feira, 26 de junho de 2012

HABILIDADES MANUAIS



Já pensou em fazer algo você mesmo? Colocar as mãos na massa como se diz por aí? Pois é, muita gente diz não possuir habilidades manuais, mas tenho pensado que tudo depende do estímulo.

A psicomotricidade é estudada há muito tempo. Sabe-se que durante o desenvolvimento da criança as habilidades vão sendo adquiridas aos poucos e que a qualidade e velocidade deste aprendizado estão diretamente relacionados aos estímulos externos. No contexto da educação infantil isto está atrelado a oferecer diversidade de experimentações, sejam elas sonoras, táteis ou visuais. Já na escolha do quarto do bebê se pode promover um ambiente enriquecedor, seguindo-se para a escolha dos brinquedos e utensílios. É através da motricidade que a criança descobre o mundo. Alguns autores postulam que a educação psicomotora condiciona o processo de alfabetização pois leva a criança a tomar consciência do seu corpo, da lateralidade, a situar-se no espaço, dominar seu tempo e adquirir coordenação dos seus gestos e movimentos. Para a alfabetização a educação psicomotora é muito importante uma vez que ajuda na concentração e na distinção entre letras e sílabas (Molinari e Sens, 2002).

Ao chegar na vida adulta a maioria de nós desenvolveu o básico, ficando aqueles premiados criativos com uma habilidade manual incrível, capazes de transformar coisas às vezes simples e sem graça em pequenas obras de arte. Estes aí estão no topo da pirâmide, têm o que se costuma chamar de jeito para as coisas. Aos demais não resta apenas o desespero – é possível, com estímulo certo, fazer coisas bacanas. A necessidade também costuma ser um incentivo forte. As mulheres, em especial conseguem adquirir estas habilidades mesmo quando não lhe são inatas, talvez por um pouco mais de paciência e detalhismo do que a maioria dos homens. Outro dia uma amiga disse: "deixa eu ter um filho que vocês vão ver se eu não fao um monte de coisinhas!" Engraçado é que a maternidade é mesmo muito estimulante. São quartinhos decorados com primor, roupinhas originais e toda sorte de badulaques. se for mãe de menina, aí a imaginação corre solta.  Daí a sair inventando convites de aniversário, decorando mesas de guloseimas e criando as mais criativas lembrancinhas é um pulo.

Tudo isso para dizer que não existe ninguém incapaz de realizar. E produzir algo fruto de sua capacidade de criar é uma sensação maravilhosa. Então, mãos à obra! 

domingo, 17 de junho de 2012

SUSTENTABILIDADE – O QUE VOCÊ TEM COM ISSO?


Nesta semana em que ocorre a Rio+20, conferência mundial sobre o meio ambiente, que leva esse nome por seguir o racional da conferência intitulada Eco92 (ocorrida também no Rio de Janeiro há 20 anos), borbulham discussões sobre as questões ambientais e temas correlacionados. Dentre estes, o tema sustentabilidade é sempre recorrente, às vezes parecendo algo bem distante, conversa de ecochato ou ecoxiita, ou até mesmo palavrório governamental sem conteúdo. Deste ponto a questionar o que de fato cada indivíduo tem com isso é um pulo. Talvez esse seja o ponto crucial para toda e qualquer mudança: conhecimento. E o questionamento é de onde se origina todo conhecimento.

O termo sustentabilidade foi alcunhado pela primeira vez em 1987 pela norueguesa Gro Brundtland, e é descrito como “suprir as necessidades do presente sem afetar a habilidade das gerações futuras de suprirem as próprias necessidades.” Equivale a dizer que o uso dos recursos naturais para a satisfação de necessidades do presente não pode comprometer as gerações futuras, por isso, mais do que nunca, pensar em sustentabilidade é pensar nos filhos e netos, pois o aumento da população mundial e com ela o consumo exagerado, faz com que efeitos deste mal uso de recursos naturais chega cada vez mais precocemente. E não há como apostar que se trata de falácia. Aos olhos de todos está a escassez de água, os racionamentos de energia elétrica e as mudanças climáticas. A sustentabilidade se faz com três pilares; o social, o ambiental e o econômico, e portanto não adianta pender radicalmente para um deles; é preciso que os três convivam em harmonia e lucrem com as ações para que estas sejam consideradas sustentáveis. Conclui-se então que não se trata de uma guerra entre os setores citados, querer barrar o desenvolvimento das economias mundiais, e sim planejar-se para fazê-lo de maneira a manter o equilíbrio entre as partes.

Vinte anos se passaram e muita coisa não saiu do papel, muito ficou apenas no campo das idéias, mas a mentalidade das pessoas com certeza mudou, e hoje mais e mais cidadãos comuns se preocupam com as questões do meio ambiente em sua vida cotidiana. Ações concretas podem não ter acontecido no volume e velocidade desejados, contudo percebe-se um movimento francamente positivo, a exemplo do Código Florestal brasileiro, que a parte as controvérsias e polêmicas, além do jogo de interesses, revela uma mudança genuína de pensamento. Houve recente campanha que ficou conhecida como “Veta , Dilma!”, para tentar sensibilizar o poder público a vetar questões que foram modificadas na câmara, o que para os militantes ambientalistas viria a favorecer enormemente os latifundiários. Depois de passar pelo gabinete da Presidência da República algumas coisas foram de fato vetadas, não se alcançou a satisfação de todos os segmentos, mas enfim é um documento. Firma compromisso com um tema urgente. O site g1.com.br publicou recentemente diagrama a seguir, bastante esclarecedor do que representa este código florestal e do que foi vetado pela Presidência da República.







Quando se fala no uso dos recursos naturais com responsabilidade refere-se a preservar a biodiversidade e os ecossistemas naturais. Segundo o engenheiro escocês Michael Shaw, “o pico do uso do petróleo está nos levando a uma cultura de sustentabilidade, na energia, na produção de comida, nos transportes e na forma com lidamos com nossos resíduos”. Esta cultura, se introspectada, fará cada indivíduo mudar seu modo de agir, desde dentro dos lares até o consumo consciente, passando por exigir de seus legisladores e governantes tal tipo de compromisso. Atitudes como fechar as torneiras enquanto escova os dentes ou se ensaboa, apagar as luzes dos cômodos que não estão sendo usados, trocar lâmpadas incandescentes por fluorescentes (são um pouco mais caras, mas têm maior durabilidade e economizam até 60 % de energia), verificar o consumo o baixo de energia dos eletrodomésticos, dá destino correto ao lixo, pilhas e baterias de celulares, verificar a procedência daquilo que compra (usar papel reciclado e objetos de madeira de reflorestamento são formas de diminuir a necessidade de extração de recursos naturais) e racionalizar o seu transporte são formas de dar uma contribuição individual ao processo.

Além desse manejo do uso direto dos recursos naturais através da racionalização dos mesmos, há um ponto delicado nos dias de hoje, de consumo desenfreado; o consumo consciente. O Instituto Arayara, que mantém um portal com sugestões para se pensar a sustentabilidade (http://www.sustentabilidade.org.br), destaca importante trecho sobre este tópico -  “a sustentabilidade está relacionada aos modelos dos sistemas de produção e de mercado, que respondem livremente às demandas da sociedade. Havendo procura, haverá oferta. Portanto, as escolhas do consumidor podem definir um caminho na direção de um modelo que devasta o meio ambiente e gera desigualdade social ou de um modelo mais harmônico com as leis da vida. Poucos se dão conta desta relação sistêmica e de sua responsabilidade individual na hora de escolher um produto qualquer”. 

Está respondido o que você tem com isso? 


segunda-feira, 11 de junho de 2012

E AGORA, O QUE DIZER?


Todo mundo repete que criar não é fácil. No dia-a-dia você até que percebe o quão delicada é a missão, mas existem aquelas situações emblemáticas em que você tem que se posicionar e tal posição vai servir de referência crucial para seu filho. Exemplo disso é quando outra criança bate em seu filho. Não tem como não ficar chateado. Primeiro impulso depois de acalentar o seu é saber o que os pais do outro fizeram para coibir. Depois de saber as versões dos fatos, visto que o seu estava inocente na história, você se pergunta se está criando alguém demasiado pacato e que poderá virar um “saco de pancadas”. E agora, o que dizer?

Há muito tempo, mas talvez ainda mais nos dias atuais, a violência é uma preocupação para pais e educadores. A cultura da não-violência figura como importante pilar nas estratégias contra a criminalidade por entender que fomentar uma relação interpessoal pacífica é fator fundamental nesta busca. Tal cenário torna no mínimo delicada a tarefa de ensinar os filhos a se defenderem das agressões físicas que possam vir a sofrer.

Ensinar uma criança a se defender passa por aspectos diversos relacionados à sua postura diante dos seus pares, e inclui as situações de agressão física. Esta questão remete aos casos denominados atualmente como bullying, e levanta a dúvida sobre sua ocorrência caso as vítimas estivessem mais preparadas. Trata-se de autoconfiança e autoestima elevados, coisas que podem e devem ser estimuladas em casa. Muito antes de focar na situação concreta de defender-se de uma agressão, deve-se focar na aceitação das diferenças, nas possibilidades de convivência harmoniosa com as outras crianças, de não ser o agente da violência. Ainda vale a máxima de que violência gera violência, portanto deve-se deixar bastante claro que é melhor privilegiar o diálogo em detrimento de sair para o ataque. Por outro lado é importante ensinar a criança que ninguém tem o direito de agredí-la física ou moralmente, e consequentemente ensiná-la como se comportar se isso acontecer. Se defender não quer dizer tornar-se um valentão ou espancador, e sim evitar ser agredido, saber se colocar. Esse diálogo entre pais e filhos exige cautela porque corre-se o risco de apenas incitar mais violência. Para as crianças menores, que por todo tempo estarão sob supervisão de um adulto pronto a intervir, poderá ser mais fácil aprender a se impor verbalmente, deixando claro que não aceita dada agressão. A resposta do outro é uma forma de colocar limite, e o adulto precisa mostrar que existem consequências para tais atos. A forma como o adulto lida com situações semelhantes vai falar muito mais alto do que qualquer discurso vazio. 


No dilema em questão a resposta depende de cada situação particular, nível de agressão, frequencia com que ela acontece e idade das crianças. É preciso ficar atento a comportamentos repetidos e ciclos viciosos. Muitas atitudes podem ser tomadas: orientar a o"oferecr a outra face", orientar a não revidar e deixar claro que a situação o incomoda e é inaceitável (apenas o discurso funciona ou o coleguinha só será reprimido sabendo que ali não vai achar moleza?)Quem sabe o caminho do meio – se coloque contrário à agressão, não resolva seus problemas na base da violência, mas se te atacarem revide? (tipo “dou um boi para não entrar numa briga, mas uma boiada para não sair dela”). Resta trazer a pergunta de volta: e agora, o que dizer?



segunda-feira, 28 de maio de 2012

PROTEÇÃO AOS FILHOS - ATITUDE SAUDÁVEL VS COMPORTAMENTO PATOLÓGICO



Como dizem por aí, “na prática a teoria é outra”. Muito já foi dito sobre o quanto a superproteção pode ser prejudicial ao desenvolvimento das crianças, o quanto este comportamento as impede de vivenciar questões importantes para o seu amadurecimento e o quanto contribui para que se tornem adultos inseguros. Consigo facilmente identificar casos extremos, porém  existe uma gama de situações intermediárias que guarda uma linha divisória bastante tênue. Qualquer pai ou mãe deseja o melhor para o seu filho e muitas vezes nesta ânsia a barreira entre atitude saudável e comportamento patológico é ultrapassada. Mas como discernir o limite entre ambos?

Proteger os filhos é uma obrigação. Cuidar de sua integridade física e emocional, guiá-los no aprendizado do convívio social e ensiná-los a ter limites são formas de proteção. As concepções do que é importante para formar um ser humano íntegro sofrem interferências dos diversos tipos de arranjos familiares, mas em linhas gerais partilham os mesmos princípios. O outro lado que é a proteção física, também preocupa muito, e é bastante óbvia. A gente fica com um medo enorme das quedas quando estão aprendendo a andar, depois se cerca de cuidados ao escolher o transporte escolar (ou por outra acha que o mais seguro é levar no próprio carro), repete as mesmas recomendações duzentas vezes antes de deixa-los viajar com a turma, e assim por diante. Quando olhamos um mundo de tanta violência e falta de civilidade, crianças expostas a tantas ameaças, centenas de casos de pedofilia, é impossível não introspectar a sensação de que o perigo mora ao lado. Quem consegue ser cem por cento do tempo controlado e não ter nenhum comportamento no mínimo exagerado? Confesso que muitas vezes penso que é melhor pecar por excesso.

Especialistas apontam que o traço patológico aparece quando por mais que cuide do filho, o indivíduo mais teme que algo de mal lhe aconteça. O pai superprotetor tenta retirar os obstáculos do caminho dos filhos na intenção de tornar suas vidas mais fáceis. Por outro lado cobram muito dos filhos. Forma-se então, uma relação viciada, criando pequenos tiranos despreparados para a vida.

É no meio desta discussão que de vez em quando dou uma pirada. De novo: na prática a teoria é outra. Virou moda apontar erros na educação, afirmar que os pais modernos criam seus filhos em verdadeiras redomas. Para ser franca, acho mesmo que tenho que poupar minhas filhas de certos dissabores. Claro que sempre há o dilema; realmente raciocino que em dadas situações o mais enriquecedor para elas  é ser entregue ao ambiente relativamente hostil e dessa forma deixa-las aprender com seus próprios erros e acertos. Deixá-las experimentar para fazer seu próprio juízo das coisas, para se fortalecer mesmo diante das adversidades. Criar seres humanos com vocação para a felicidade é uma meta ambiciosa, mas quero seguir com ela. Talvez porque ainda estejam muito pequenas me sinta até confortável em oferecer minhas asas, mas vislumbro o futuro de duas adolescentes e depois duas mulheres e o quanto vou saber ir soltando as amarras?

Por fim, após refletir bastante sobre o assunto, não tenho resposta pronta, vou aprendendo à medida que as questões me são impostas. Percebo que felizmente ou infelizmente não existem fórmulas e que vou ter que ir tateando essas situações aos poucos. O que resta é me agarrar ao bom e velho bom senso (com perdão do trocadilho). Entre erros e acertos espero poder dizer que tudo valeu a pena.

sábado, 19 de maio de 2012

COMO SUBIR NO LUSTRE COM AS CRIANÇAS NO QUARTO AO LADO?




Uma decisão importante: casar. Muitos prós e alguns contras, mas com certeza curtir seu amor a toda hora é uma coisa que estimula bastante a dar tamanho passo. Pois é, vocês achavam que seria sexo todos os dias, de diversas modalidades, em todos os cômodos do novo apartamento (mesmo pequenininho, era todo de vocês). No começo até que deram um gás, mas como diriam os mais velhos, “tudo demais é sobra; e a sobra ninguém aproveita”. Não aproveitou, êis que o eixo gravitacional do casamento mudou. Provavelmente o instinto materno falou mais alto (sim, porque o instinto paterno, se vier, vem a reboque) e vocês decidiram que era hora das crianças chegarem.

Parênteses para a hora das crianças chegarem: para a maioria dos casais ter filhos é coroar a relação, e as crianças quando vem de fato preenchem uma lacuna que você sequer sabia existir. Com relação ao instinto paterno, se não é algo tão nativo como nas mulheres, em troca dá lugar a um amor tão imenso quanto, que nasce junto com os filhos. Tudo isso para dizer que as coisas mudam completamente. Fecha parênteses.

Sexo agora é uma verdadeira obra de estrategista; tem que observar bem  o horário do sono REM  da criança, verificar se as portas estão fechadas, manter os ouvidos mais atentos do que os de um perdigueiro e ao mesmo tempo se concentrar no outro, e mais importante de tudo; estar sempre pronto para sair correndo.

Diante de tal situação, como subir no lustre?

Simplesmente não se sobe. Arruma-se uma forma de "soltar suas feras" menos acrobática, mais silenciosa, e muitas vezes mais rápida. O desafio é preservar o mesmo entusiasmo de antes e neste ponto a cumplicidade é determinante. Quando o amor existe tudo é transponível e essa fase do casamento é vivida até com bom humor; as crianças inevitavelmente vão crescer. E sempre há espaço para umas saídas furtivas na noite e pequenas viagens de fim de semana. Nesta hora o lustre é todo de vocês.


domingo, 6 de maio de 2012

MULHER, CASADA, COM FILHOS PROCURA





A mulher encerra o dia de trabalho e planeja voltar para casa, dar uma atenção para a família e depois, mesmo que adentrando a madrugada, fazer pequenas tarefas e ter momentos para si; coisas pessoais, como mandar um e-mail, ler uma revista, terminar a lembrancinha do aniversário da caçula e se dar uma massagem com seus cremes noturnos. Só não contava ser vencida pela realidade dos fatos: superpoderes não existem, nem mesmo na multimulher.
 
Imagine a cena: chegou em casa, brincou com as crianças, fez a lição de casa, conseguiu colocar uma para dormir, deu o leitinho da outra, e sempre tem aquela criança notívaga que estica a conversa até mais tarde. Quando finalmente está sozinha percebe que está quase sem energia, mas estica a corda pelo menos para terminar aquele trabalho que trouxe para fazer em casa. O máximo que consegue depois é tomar uma ducha quente para tentar descansar, quase não tem coragem de passar os tais cremes, massagem nem pensar. E eis que cai na cama morta de cansada e é parcialmente ressuscitada por um “oi, meu amor”, bem descansado naquela mesma cama há horas.
 
Essa mulher, comumente encontrada nos lares a fora, corre o dia todo se dividindo entre as tarefas profissionais e domésticas. Algumas, talvez privilegiadas, podem voltar para almoçar com os filhos ou deixa-los na escola, e assim já ir mantendo a conversa em dia, além de se inteirar dos últimos acontecimentos. As que não podem se ausentar do trabalho observam a casa de longe e mantêm-se presentes através de ligações telefônicas. Seria cômico se por vezes não beirasse a tragédia, bem à moda de “mulheres à beira de um ataque de nervos”. Mas há sempre a recompensa por suas escolhas; se saber cumprindo com seu papel, desfrutando a alegria em família e valorizando o que realmente importa na vida.
 
Todas estas mulheres vão, ao seu modo, tentando equilibrar os pratos, verdadeiras artistas que são e seguem se reinventando a cada dia numa busca insana e interminável: mulher, casada, com filhos procura...TEMPO!





segunda-feira, 23 de abril de 2012

SUCESSO


O que significa sucesso?

Depende do ponto de vista.

De um modo geral as pessoas segmentam o que pode ser considerado sucesso no âmbito pessoal ou profissional.

Examinando o lado profissional percebem-se muitas formas de chegar ao  almejado topo:

Se for na música, sucesso pode ser ter sua canção como trilha sonora de uma dancinha do Neymar.  Para os mais exigentes, será ter a autoria de um clássico atemporal que embala muitas histórias (até porque o Neymar a cada gol faz uma dancinha diferente).

Caso seu oficio seja as artes cênicas, a idéia de sucesso pode se assemelhar ao que se descreveu para a música; ser uma estrela de 15 minutos na novela das oito ou um grande ícone jamais esquecido.

Para um jornalista o furo de reportagem poderá representar o ápice. Por outro lado, alguns podem perseguir a pesquisa mais aprofundada e a credibilidade do profissional que faz a diferença.

Para um super-herói salvar o mundo deve ser o símbolo maior do sucesso, mas de repente, para não perder a viagem, basta salvar uma mocinha indefesa.

Ah, e o que dizer do lado pessoal. São tantas as coisa que engrandecem o homem...

Neste sentido sucesso pode ser viver um grande amor.

Pode ser trilhar plenamente a maternidade ou realizar o sonho de ser pai.

Quem sabe passar por experiências que te desafiam e te instigam a ser cada vez melhor.

Ou simplesmente perceber-se satisfeito com tudo que já realizou na vida.

Olhando tudo isso com mais detalhe pode-se ousar a dizer que uma pessoa realmente de sucesso precisa ser bem sucedida nos dois aspectos.

Então que tal se inspirar e continuar na sua pequena batalha diária pelo seu sinônimo de sucesso? Ainda que isto signifique aquele treinamento exaustivo até a grande estreia, fracassos repetidos até a indescritível vitória, horas de trabalho intenso até aquelas tão sonhadas férias ou mesmo dias de saudade até os intermináveis abraços e beijinhos da chegada.

sábado, 14 de abril de 2012

USANDO UM SENTIMENTO PARA PROVOCAR A REAÇÃO




Fiquei com raiva daqueles marginais – assaltaram e levaram seu carro em plena luz do dia. Quando lhe vi são e salvo passei a achá-los até “bonzinhos”, afinal haviam lhe entregue seus pertences pessoais, não lhe fizeram grandes agressões verbais ou físicas, e mais que tudo lhe deixaram a vida. Que mundo violento é esse que diante de histórias tremendamente brutais fica-se contente por ter sido “brandamente” acometido?
 
De forma recorrente o assunto violência urbana volta à baila, e é impossível não ser assim dada a gama de situações de violência a que todos estão continuamente expostos, direta ou indiretamente. Dos diversos tipos de violência, a interpessoal em particular causa grande perplexidade. O que leva um ser humano a atentar contra a integridade do outro? Desde um simples furto até o mais cruel latrocínio a essência do desrespeito pelo outro é preponderante. E claro, quanto mais extremo se apresenta esse tipo de violência, mais choca e deixa no ar a sensação de que a vida nada mais vale. Certamente para um sem número de marginalizados a valoração da vida humana destoa do que que se imagina plausível. É um problema relacionado exclusivamente à inversão de valores em que a sociedade, nos moldes concebidos até então, se encontra. Volta-se, também de forma recorrente (mas parece que é sempre pouco), ao berço onde estes valores são fomentados; o seio das famílias. A maneira como se está educando os filhos nos dias atuais colabora para a citada inversão de valores, assim como a desigualdade social e a má distribuição de renda. É preciso pensar seriamente naquela que se convencionou chamar de pirâmide social. Não adianta pensar a sociedade apenas ao nível de seus pares e iguais, pois há gente pobre, com fome, sem recursos além do que você pode ver (ou quer ver). E está chegando um ponto que não se pode mais escamotear estas disparidades; elas estão vindo para cima de todos, chegando cada vez mais próximo, seja no sinal de trânsito, seja na paisagem que se vê da janela dos fundos do seu apartamento.
 
Todo esse cenário é encarcerador, torna a todos reféns, mas sempre resta esperança, senão não seriam todos humanos. A questão é que ao lado deste sentimento de esperança tem que vir atitude naquilo que estiver a seu alcance. Mesmo um ato aparentemente pequeno pode ter o poder de se propagar em uma grande onda. Muito é devido aos poderes públicos obviamente, contudo nisso também há a responsabilidade daquele que elege qualquer um por interesses que não o trabalho pelo povo. Tão atual a poesia de Caetano Veloso – “enquanto os homens exercem seus podres poderes, morrer e matar de fome, de raiva e de sede são tantas vezes gestos naturais”. A mudança necessária começa aí em sua consciência para entender o todo que vai além de você. Consciência que é capaz de gerar aquela grande onda, na exata medida em que realiza que “brandamente acometido” só entre aspas mesmo, pois a agressão moral é imensurável e pode deixar cicatrizes difíceis de serem debeladas.

Fiquei com raiva daqueles marginais – agora usando o sentimento para provocar a reação. Tudo aquilo que se possa apontar como parte da gênese da violência urbana ainda sim não a justifica. Marginalizado e marginal são coisas diferentes. Pobreza não é sinônimo de má índole. Simplesmente dizer que o homem é produto do meio minimiza a possibilidade de livre arbítrio e de responsabilidade por suas escolhas.


domingo, 1 de abril de 2012

O QUE EU QUERO ENSINAR A VOCÊ



Mesmo antes de olhar seu rosto já pensava em lhe ensinar tantas coisas. Alisava minha barriga e imaginava longas conversas sobre a vida, sobre como você deveria se comportar e sobre o que realmente é importante na vida. Cantava sempre, desejando lhe passar algum gosto musical, embalar seu sono ou acalmar sua agitação. Quando eu te vi pela primeira vez tive certeza do quanto havia guardado para lhe mostrar. Tive medo de estar sendo pretenciosa, e mais medo ainda de não saber ensinar nada, afinal você era potencial para tudo e eu queria mesmo era lhe permitir todas as possibilidades.

Talvez a primeira coisa que tenha passado para você tenha sido o poder de um afago. Dizem que os bebês começam sua relação com o mundo a partir daí. Desde sempre você soube o que é ter atenção. Os primeiros passos e as primeiras palavras também tinham um pouco de mim. Ao longo do tempo vai chegando o apreço pelas artes e o gosto por aprender. Neste afã por te dar sempre mais acabo me descobrindo ensinando coisas que não fazia idéia saber, como subir em árvores ou dar cambalhotas. E volto à infância lhe mostrando como brincar no balanço, na escorregadeira ou andar de bicicleta.  

Me preocupam as questões materiais, das quais tento estabelecer o verdadeiro valor, distinguindo entre ter e ser. Numa sociedade que valoriza muito mais o primeiro acaba sendo nadar contra a corrente trilhar caminhos com maior ênfase no segundo. Aos poucos vou conseguindo passar noções de respeito, amizade e cidadania.

Penso também nas coisas que não consigo lhe ensinar; jogar xadrez, saltar de asa delta ou mergulhar em alto mar. É quando paira a sensação de incompetência que logo dissipo ao te ver saudável e feliz, crescendo e se revelando uma pessoa de quem me orgulho. E você vai muito além de mim, tendo a vida para aprender o que quiser. No fundo o que de fato é essencial é criar uma atmosfera de confiança na qual você se paute para alcançar suas próprias conquistas.

E mesmo estando em meio à caminhada, me sinto plena ao sabor desta missão que nada tem de unilateral, pelo contrário, se um dia me preocupei tanto com o que tinha a lhe ensinar, hoje percebo que aprendo muito mais com você.


segunda-feira, 26 de março de 2012

SAIA DA SAIA JUSTA



Criança diz cada coisa! A toda hora alguém solta esta frase. É que muitas vezes as crianças colocam os adultos em situações embaraçosas, principalmente quando estes complicam a resposta a determinadas perguntas. Lembra aquela história em que a mãe fica tensa quando o filho pergunta como veio ao mundo e ele impaciente com os rodeios diz que só quer saber se nasceu pelado ou vestido. A maior parte das vezes, passados os primeiros segundos de surpresa, com honestidade e paciência se consegue explicar o que lhe é questionado.

O cuidado ao responder é obviamente importante, muito pela necessidade de se satisfazer a sede de aprender das crianças, mas também para que o adulto na berlinda não se enrole em situações posteriores que certamente terão a anterior como referência. Foi por isso que em certa casa deu-se um embrolho que agora lhes relato; a menina vendo um pacote de absorventes no banheiro da mãe apressou-se em perguntar do que se tratava. A mãe, resistindo para não falar de menstruação com tão pequena figura, disse tratar-se de um pacote de fraldas. A criança logo emendou, “você também usa?” Já que tinha começado, só restava dizer um quase inaudível “sim”. Daí a contar aos quatro ventos que a mãe usava fraldas foi um pulo. E a colocar a tal fralda também. Custava ter explicado ser o nome do tal utensílio, para que servia e que ela só usaria quando mais velha? Em outro episódio explicou que a criança não deveria falar com estranhos em hipótese alguma. A menina entrava no elevador e não abria a boca, recebiam a visita de algum amigo dos pais que ainda não conhecia a criança e ela muda, e assim onde quer que chegassem. A mãe começou a pensar - “mas ela sempre foi tão comunicativa!” está precisando ser corrigida. Põe-se a repetir em cada oportunidade – “fala com o tio!” Lá pela segunda reprimenda a pequena soltou: “ você não disse para não falar com estranhos?”

No final das contas prevalece a orientação de nivelar as explicações ao desenvolvimento da criança e responder simplesmente o que lhe é perguntado. Provavelmente responderá a pergunta algumas vezes na vida da criança e de formas diferentes, com ela própria dando pistas do que é capaz de compreender. De qualquer modo estratégia é clara; saia da saia justa. Se não der, divirta-se (este tipo de situação rende muitas gargalhadas).