segunda-feira, 28 de maio de 2012

PROTEÇÃO AOS FILHOS - ATITUDE SAUDÁVEL VS COMPORTAMENTO PATOLÓGICO



Como dizem por aí, “na prática a teoria é outra”. Muito já foi dito sobre o quanto a superproteção pode ser prejudicial ao desenvolvimento das crianças, o quanto este comportamento as impede de vivenciar questões importantes para o seu amadurecimento e o quanto contribui para que se tornem adultos inseguros. Consigo facilmente identificar casos extremos, porém  existe uma gama de situações intermediárias que guarda uma linha divisória bastante tênue. Qualquer pai ou mãe deseja o melhor para o seu filho e muitas vezes nesta ânsia a barreira entre atitude saudável e comportamento patológico é ultrapassada. Mas como discernir o limite entre ambos?

Proteger os filhos é uma obrigação. Cuidar de sua integridade física e emocional, guiá-los no aprendizado do convívio social e ensiná-los a ter limites são formas de proteção. As concepções do que é importante para formar um ser humano íntegro sofrem interferências dos diversos tipos de arranjos familiares, mas em linhas gerais partilham os mesmos princípios. O outro lado que é a proteção física, também preocupa muito, e é bastante óbvia. A gente fica com um medo enorme das quedas quando estão aprendendo a andar, depois se cerca de cuidados ao escolher o transporte escolar (ou por outra acha que o mais seguro é levar no próprio carro), repete as mesmas recomendações duzentas vezes antes de deixa-los viajar com a turma, e assim por diante. Quando olhamos um mundo de tanta violência e falta de civilidade, crianças expostas a tantas ameaças, centenas de casos de pedofilia, é impossível não introspectar a sensação de que o perigo mora ao lado. Quem consegue ser cem por cento do tempo controlado e não ter nenhum comportamento no mínimo exagerado? Confesso que muitas vezes penso que é melhor pecar por excesso.

Especialistas apontam que o traço patológico aparece quando por mais que cuide do filho, o indivíduo mais teme que algo de mal lhe aconteça. O pai superprotetor tenta retirar os obstáculos do caminho dos filhos na intenção de tornar suas vidas mais fáceis. Por outro lado cobram muito dos filhos. Forma-se então, uma relação viciada, criando pequenos tiranos despreparados para a vida.

É no meio desta discussão que de vez em quando dou uma pirada. De novo: na prática a teoria é outra. Virou moda apontar erros na educação, afirmar que os pais modernos criam seus filhos em verdadeiras redomas. Para ser franca, acho mesmo que tenho que poupar minhas filhas de certos dissabores. Claro que sempre há o dilema; realmente raciocino que em dadas situações o mais enriquecedor para elas  é ser entregue ao ambiente relativamente hostil e dessa forma deixa-las aprender com seus próprios erros e acertos. Deixá-las experimentar para fazer seu próprio juízo das coisas, para se fortalecer mesmo diante das adversidades. Criar seres humanos com vocação para a felicidade é uma meta ambiciosa, mas quero seguir com ela. Talvez porque ainda estejam muito pequenas me sinta até confortável em oferecer minhas asas, mas vislumbro o futuro de duas adolescentes e depois duas mulheres e o quanto vou saber ir soltando as amarras?

Por fim, após refletir bastante sobre o assunto, não tenho resposta pronta, vou aprendendo à medida que as questões me são impostas. Percebo que felizmente ou infelizmente não existem fórmulas e que vou ter que ir tateando essas situações aos poucos. O que resta é me agarrar ao bom e velho bom senso (com perdão do trocadilho). Entre erros e acertos espero poder dizer que tudo valeu a pena.

sábado, 19 de maio de 2012

COMO SUBIR NO LUSTRE COM AS CRIANÇAS NO QUARTO AO LADO?




Uma decisão importante: casar. Muitos prós e alguns contras, mas com certeza curtir seu amor a toda hora é uma coisa que estimula bastante a dar tamanho passo. Pois é, vocês achavam que seria sexo todos os dias, de diversas modalidades, em todos os cômodos do novo apartamento (mesmo pequenininho, era todo de vocês). No começo até que deram um gás, mas como diriam os mais velhos, “tudo demais é sobra; e a sobra ninguém aproveita”. Não aproveitou, êis que o eixo gravitacional do casamento mudou. Provavelmente o instinto materno falou mais alto (sim, porque o instinto paterno, se vier, vem a reboque) e vocês decidiram que era hora das crianças chegarem.

Parênteses para a hora das crianças chegarem: para a maioria dos casais ter filhos é coroar a relação, e as crianças quando vem de fato preenchem uma lacuna que você sequer sabia existir. Com relação ao instinto paterno, se não é algo tão nativo como nas mulheres, em troca dá lugar a um amor tão imenso quanto, que nasce junto com os filhos. Tudo isso para dizer que as coisas mudam completamente. Fecha parênteses.

Sexo agora é uma verdadeira obra de estrategista; tem que observar bem  o horário do sono REM  da criança, verificar se as portas estão fechadas, manter os ouvidos mais atentos do que os de um perdigueiro e ao mesmo tempo se concentrar no outro, e mais importante de tudo; estar sempre pronto para sair correndo.

Diante de tal situação, como subir no lustre?

Simplesmente não se sobe. Arruma-se uma forma de "soltar suas feras" menos acrobática, mais silenciosa, e muitas vezes mais rápida. O desafio é preservar o mesmo entusiasmo de antes e neste ponto a cumplicidade é determinante. Quando o amor existe tudo é transponível e essa fase do casamento é vivida até com bom humor; as crianças inevitavelmente vão crescer. E sempre há espaço para umas saídas furtivas na noite e pequenas viagens de fim de semana. Nesta hora o lustre é todo de vocês.


domingo, 6 de maio de 2012

MULHER, CASADA, COM FILHOS PROCURA





A mulher encerra o dia de trabalho e planeja voltar para casa, dar uma atenção para a família e depois, mesmo que adentrando a madrugada, fazer pequenas tarefas e ter momentos para si; coisas pessoais, como mandar um e-mail, ler uma revista, terminar a lembrancinha do aniversário da caçula e se dar uma massagem com seus cremes noturnos. Só não contava ser vencida pela realidade dos fatos: superpoderes não existem, nem mesmo na multimulher.
 
Imagine a cena: chegou em casa, brincou com as crianças, fez a lição de casa, conseguiu colocar uma para dormir, deu o leitinho da outra, e sempre tem aquela criança notívaga que estica a conversa até mais tarde. Quando finalmente está sozinha percebe que está quase sem energia, mas estica a corda pelo menos para terminar aquele trabalho que trouxe para fazer em casa. O máximo que consegue depois é tomar uma ducha quente para tentar descansar, quase não tem coragem de passar os tais cremes, massagem nem pensar. E eis que cai na cama morta de cansada e é parcialmente ressuscitada por um “oi, meu amor”, bem descansado naquela mesma cama há horas.
 
Essa mulher, comumente encontrada nos lares a fora, corre o dia todo se dividindo entre as tarefas profissionais e domésticas. Algumas, talvez privilegiadas, podem voltar para almoçar com os filhos ou deixa-los na escola, e assim já ir mantendo a conversa em dia, além de se inteirar dos últimos acontecimentos. As que não podem se ausentar do trabalho observam a casa de longe e mantêm-se presentes através de ligações telefônicas. Seria cômico se por vezes não beirasse a tragédia, bem à moda de “mulheres à beira de um ataque de nervos”. Mas há sempre a recompensa por suas escolhas; se saber cumprindo com seu papel, desfrutando a alegria em família e valorizando o que realmente importa na vida.
 
Todas estas mulheres vão, ao seu modo, tentando equilibrar os pratos, verdadeiras artistas que são e seguem se reinventando a cada dia numa busca insana e interminável: mulher, casada, com filhos procura...TEMPO!





segunda-feira, 23 de abril de 2012

SUCESSO


O que significa sucesso?

Depende do ponto de vista.

De um modo geral as pessoas segmentam o que pode ser considerado sucesso no âmbito pessoal ou profissional.

Examinando o lado profissional percebem-se muitas formas de chegar ao  almejado topo:

Se for na música, sucesso pode ser ter sua canção como trilha sonora de uma dancinha do Neymar.  Para os mais exigentes, será ter a autoria de um clássico atemporal que embala muitas histórias (até porque o Neymar a cada gol faz uma dancinha diferente).

Caso seu oficio seja as artes cênicas, a idéia de sucesso pode se assemelhar ao que se descreveu para a música; ser uma estrela de 15 minutos na novela das oito ou um grande ícone jamais esquecido.

Para um jornalista o furo de reportagem poderá representar o ápice. Por outro lado, alguns podem perseguir a pesquisa mais aprofundada e a credibilidade do profissional que faz a diferença.

Para um super-herói salvar o mundo deve ser o símbolo maior do sucesso, mas de repente, para não perder a viagem, basta salvar uma mocinha indefesa.

Ah, e o que dizer do lado pessoal. São tantas as coisa que engrandecem o homem...

Neste sentido sucesso pode ser viver um grande amor.

Pode ser trilhar plenamente a maternidade ou realizar o sonho de ser pai.

Quem sabe passar por experiências que te desafiam e te instigam a ser cada vez melhor.

Ou simplesmente perceber-se satisfeito com tudo que já realizou na vida.

Olhando tudo isso com mais detalhe pode-se ousar a dizer que uma pessoa realmente de sucesso precisa ser bem sucedida nos dois aspectos.

Então que tal se inspirar e continuar na sua pequena batalha diária pelo seu sinônimo de sucesso? Ainda que isto signifique aquele treinamento exaustivo até a grande estreia, fracassos repetidos até a indescritível vitória, horas de trabalho intenso até aquelas tão sonhadas férias ou mesmo dias de saudade até os intermináveis abraços e beijinhos da chegada.

sábado, 14 de abril de 2012

USANDO UM SENTIMENTO PARA PROVOCAR A REAÇÃO




Fiquei com raiva daqueles marginais – assaltaram e levaram seu carro em plena luz do dia. Quando lhe vi são e salvo passei a achá-los até “bonzinhos”, afinal haviam lhe entregue seus pertences pessoais, não lhe fizeram grandes agressões verbais ou físicas, e mais que tudo lhe deixaram a vida. Que mundo violento é esse que diante de histórias tremendamente brutais fica-se contente por ter sido “brandamente” acometido?
 
De forma recorrente o assunto violência urbana volta à baila, e é impossível não ser assim dada a gama de situações de violência a que todos estão continuamente expostos, direta ou indiretamente. Dos diversos tipos de violência, a interpessoal em particular causa grande perplexidade. O que leva um ser humano a atentar contra a integridade do outro? Desde um simples furto até o mais cruel latrocínio a essência do desrespeito pelo outro é preponderante. E claro, quanto mais extremo se apresenta esse tipo de violência, mais choca e deixa no ar a sensação de que a vida nada mais vale. Certamente para um sem número de marginalizados a valoração da vida humana destoa do que que se imagina plausível. É um problema relacionado exclusivamente à inversão de valores em que a sociedade, nos moldes concebidos até então, se encontra. Volta-se, também de forma recorrente (mas parece que é sempre pouco), ao berço onde estes valores são fomentados; o seio das famílias. A maneira como se está educando os filhos nos dias atuais colabora para a citada inversão de valores, assim como a desigualdade social e a má distribuição de renda. É preciso pensar seriamente naquela que se convencionou chamar de pirâmide social. Não adianta pensar a sociedade apenas ao nível de seus pares e iguais, pois há gente pobre, com fome, sem recursos além do que você pode ver (ou quer ver). E está chegando um ponto que não se pode mais escamotear estas disparidades; elas estão vindo para cima de todos, chegando cada vez mais próximo, seja no sinal de trânsito, seja na paisagem que se vê da janela dos fundos do seu apartamento.
 
Todo esse cenário é encarcerador, torna a todos reféns, mas sempre resta esperança, senão não seriam todos humanos. A questão é que ao lado deste sentimento de esperança tem que vir atitude naquilo que estiver a seu alcance. Mesmo um ato aparentemente pequeno pode ter o poder de se propagar em uma grande onda. Muito é devido aos poderes públicos obviamente, contudo nisso também há a responsabilidade daquele que elege qualquer um por interesses que não o trabalho pelo povo. Tão atual a poesia de Caetano Veloso – “enquanto os homens exercem seus podres poderes, morrer e matar de fome, de raiva e de sede são tantas vezes gestos naturais”. A mudança necessária começa aí em sua consciência para entender o todo que vai além de você. Consciência que é capaz de gerar aquela grande onda, na exata medida em que realiza que “brandamente acometido” só entre aspas mesmo, pois a agressão moral é imensurável e pode deixar cicatrizes difíceis de serem debeladas.

Fiquei com raiva daqueles marginais – agora usando o sentimento para provocar a reação. Tudo aquilo que se possa apontar como parte da gênese da violência urbana ainda sim não a justifica. Marginalizado e marginal são coisas diferentes. Pobreza não é sinônimo de má índole. Simplesmente dizer que o homem é produto do meio minimiza a possibilidade de livre arbítrio e de responsabilidade por suas escolhas.


domingo, 1 de abril de 2012

O QUE EU QUERO ENSINAR A VOCÊ



Mesmo antes de olhar seu rosto já pensava em lhe ensinar tantas coisas. Alisava minha barriga e imaginava longas conversas sobre a vida, sobre como você deveria se comportar e sobre o que realmente é importante na vida. Cantava sempre, desejando lhe passar algum gosto musical, embalar seu sono ou acalmar sua agitação. Quando eu te vi pela primeira vez tive certeza do quanto havia guardado para lhe mostrar. Tive medo de estar sendo pretenciosa, e mais medo ainda de não saber ensinar nada, afinal você era potencial para tudo e eu queria mesmo era lhe permitir todas as possibilidades.

Talvez a primeira coisa que tenha passado para você tenha sido o poder de um afago. Dizem que os bebês começam sua relação com o mundo a partir daí. Desde sempre você soube o que é ter atenção. Os primeiros passos e as primeiras palavras também tinham um pouco de mim. Ao longo do tempo vai chegando o apreço pelas artes e o gosto por aprender. Neste afã por te dar sempre mais acabo me descobrindo ensinando coisas que não fazia idéia saber, como subir em árvores ou dar cambalhotas. E volto à infância lhe mostrando como brincar no balanço, na escorregadeira ou andar de bicicleta.  

Me preocupam as questões materiais, das quais tento estabelecer o verdadeiro valor, distinguindo entre ter e ser. Numa sociedade que valoriza muito mais o primeiro acaba sendo nadar contra a corrente trilhar caminhos com maior ênfase no segundo. Aos poucos vou conseguindo passar noções de respeito, amizade e cidadania.

Penso também nas coisas que não consigo lhe ensinar; jogar xadrez, saltar de asa delta ou mergulhar em alto mar. É quando paira a sensação de incompetência que logo dissipo ao te ver saudável e feliz, crescendo e se revelando uma pessoa de quem me orgulho. E você vai muito além de mim, tendo a vida para aprender o que quiser. No fundo o que de fato é essencial é criar uma atmosfera de confiança na qual você se paute para alcançar suas próprias conquistas.

E mesmo estando em meio à caminhada, me sinto plena ao sabor desta missão que nada tem de unilateral, pelo contrário, se um dia me preocupei tanto com o que tinha a lhe ensinar, hoje percebo que aprendo muito mais com você.


segunda-feira, 26 de março de 2012

SAIA DA SAIA JUSTA



Criança diz cada coisa! A toda hora alguém solta esta frase. É que muitas vezes as crianças colocam os adultos em situações embaraçosas, principalmente quando estes complicam a resposta a determinadas perguntas. Lembra aquela história em que a mãe fica tensa quando o filho pergunta como veio ao mundo e ele impaciente com os rodeios diz que só quer saber se nasceu pelado ou vestido. A maior parte das vezes, passados os primeiros segundos de surpresa, com honestidade e paciência se consegue explicar o que lhe é questionado.

O cuidado ao responder é obviamente importante, muito pela necessidade de se satisfazer a sede de aprender das crianças, mas também para que o adulto na berlinda não se enrole em situações posteriores que certamente terão a anterior como referência. Foi por isso que em certa casa deu-se um embrolho que agora lhes relato; a menina vendo um pacote de absorventes no banheiro da mãe apressou-se em perguntar do que se tratava. A mãe, resistindo para não falar de menstruação com tão pequena figura, disse tratar-se de um pacote de fraldas. A criança logo emendou, “você também usa?” Já que tinha começado, só restava dizer um quase inaudível “sim”. Daí a contar aos quatro ventos que a mãe usava fraldas foi um pulo. E a colocar a tal fralda também. Custava ter explicado ser o nome do tal utensílio, para que servia e que ela só usaria quando mais velha? Em outro episódio explicou que a criança não deveria falar com estranhos em hipótese alguma. A menina entrava no elevador e não abria a boca, recebiam a visita de algum amigo dos pais que ainda não conhecia a criança e ela muda, e assim onde quer que chegassem. A mãe começou a pensar - “mas ela sempre foi tão comunicativa!” está precisando ser corrigida. Põe-se a repetir em cada oportunidade – “fala com o tio!” Lá pela segunda reprimenda a pequena soltou: “ você não disse para não falar com estranhos?”

No final das contas prevalece a orientação de nivelar as explicações ao desenvolvimento da criança e responder simplesmente o que lhe é perguntado. Provavelmente responderá a pergunta algumas vezes na vida da criança e de formas diferentes, com ela própria dando pistas do que é capaz de compreender. De qualquer modo estratégia é clara; saia da saia justa. Se não der, divirta-se (este tipo de situação rende muitas gargalhadas).

domingo, 18 de março de 2012

MINI ME

Aquela velha imagem da pequena engraçada, subindo no salto alto da mãe, vários números maior que seu pezinho, se repete em todas as casas com meninas. Vê-las nos seus primeiros passos de mulher é uma experiência única, e em especial essa vontade de imitar as mães traz a exata medida do quanto estas são espelho. Tal relação é uma deliciosa via de mão dupla, de forma que a mãe, do alto de seu salto, se vê naquela pequena figura. Os meninos também não escapam deste clichê maravilhoso e sair por aí com uma cópia do papai também é um must. Inspirado neste universo tão singelo o mundo da moda vem dando cada vez mais vazão à criatividade no que se passou a chamar estilo mini me, produzindo roupas do circuito fashion adulto para as crianças. Conceito semelhante alcança a indústria de brinquedos, com a possibilidade de vestir as bonecas exatamente como suas pequenas donas.

Zara
Há algum tempo as crianças não escolhiam o que vestir, até porque a elas não era dado este direito. Hoje a meninada anda cheia de estilo e sabe exatamente o que quer quando o assunto é roupas e acessórios. E estão mais antenadas do que nunca. Além disso grande parte das mães adora ver sua princesinha num modelito todo elaborado, sem falar no quanto de cumplicidade emana da dupla (trio, quarteto, e quem mais chegar) vestidinha igual. Várias grifes famosas já perceberam essa tendência, a exemplo de Isabela Capeto, Carmen Steffens e Ronaldo Fraga.

Isabela Capeto
              São diversas possibilidades, para qualquer tipo de público, fruto de muita pesquisa e estratégia de mercado. Um cuidado que se deve ter é não deixar a criança como um mini adulto, apesar do que o título possa sugerir. Criança pode ser bem vestida mantendo a atmosfera de ingenuidade e delicadeza.  A idéia é dar alegria, liberdade, bem estar e leveza ao guarda-roupas dos pequenos, aliados aos cuidados com a qualidade dispensadas ao público adulto, afinal bom gosto não tem idade. 

terça-feira, 13 de março de 2012

NOVOS ARES

DA SÉRIE ADAPTAÇÃO ÀS MUDANÇAS

A palavra adaptação significa acomodação, ajuste, e graças à imensa capacidade de adaptação do ser humano as mudanças vão sendo aos poucos incorporadas e se atinge a homeostase.

A primeira frase que vem à cabeça: mudar é difícil! Neste caso em particular por alguns motivos; de saída por ter caído na própria cilada de achar que mudar rapidamente de Salvador ajudaria a passar melhor pela dor de perder um pai. Engano clássico, pois obviamente a dor te acompanha e mesmo estando num outro ambiente, cada hábito há tanto familiar te faz lembrar. E mais, a distancia trouxe a angústia de estar longe da mãe, porto seguro, sem dar e receber aquele afago físico tão reconfortante nestas horas (sorte que a distância é pouca e se pode compensar ora ou outra). Há ainda uma certa insegurança naturalmente trazida por tudo aquilo que é desconhecido, além, é claro, da saudade de todos. Felizmente junto com esta sensação de que as coisas não são fáceis, vem também a garra para enfrentar novos desafios, entendendo que a vida ganha um gostinho especial com o prazer da conquista.

No meio do caminho acontece muita coisa engraçada e situações inusitadas pelo simples fato de ser um “estranho no ninho”, como por exemplo andar pela cidade ligando para o irmão de cinco em cinco minutos para se achar (há que se dizer que foi só na primeira semana; na segunda semana a opção foi andar em círculos – aí dá para começar a aprender os caminhos!; e da terceira semana em diante sentir-se algo competente por saber ir de casa para o trabalho, do trabalho para a escola das crianças e de lá voltar para casa). Outra experiência que parece ser carimbo para todos os conterrâneos é cada vez que abrir a boca alguém exclamar que você é da Bahia (nem achava que tinha sotaque!). Apesar da proximidade entre as capitais, se fala realmente diferente, desde de o jeito de chamar o pão (ah, isso persegue o baiano onde quer que vá – também vai chamar o pãozinho de cacetinho!) até o saco de supermercado. Hilário foi Catarina, com uns quinze dias de aula, perguntar se poderia chamar a professora de tia (com a língua entre os dentes) – ora, chame como quiser, mas não esqueça de “ôxe”, “venha cá”, “de hoje a oito” e toda sorte de coisa que dizem que é de baiano!

Encontrar seus pares e se relacionar bem com eles é um outro capítulo. As pessoas de um modo geral são gentis, mas as cercas são mantidas a maior parte do tempo. Percebe-se o quanto são reservados, desconfiados até, o que faz com que as relações que aos poucos vão se estabelecendo sejam mais verdadeiras. O embrolho é que para quem está chegando, ainda sentindo na pele a brisa de outras praias e na boca o gostinho de um acarajé de verdade, é fácil se ensimesmar e não fazer grandes esforços para transpor estas cercas. É  um exercício constante. O importante é que essa resistência inicial não impede a forma acolhedora como a cidade recebe um sem número de expatriados. Há uma delicadeza no ar e um ritmo menos frenético que tornam possível a sensação de pertencer ao lugar.

As meninas estão crescendo e parecem se adaptar a tudo com enorme facilidade, mesmo àquelas coisas das quais reclamam sentir saudades. Novos ares, novos hábitos – já sabem subir em árvores, só querem a piscina de adultos, voam alto no balanço e se vêem verdadeiras bailarinas. As fugas noturnas para a cama dos pais foram embora com a chegada da cama nova, mais espaçoso e o encanto de um novo quarto. Esta mudança pegou as duas numa fase de novidades também na relação delas – Isadora não é mais aquela que atrapalha a brincadeira, pelo contrário, agora dá asas a uma fértil imaginação dupla. Fazer amizades está sendo um desafio por chegar e encontrar os grupos estabelecidos. Mudança também pela caçula começar a frequentar a escola e pela mais velha estar num ponto importante da alfabetização, tendo que levar com afinco os horários das tarefas (mais risos: reclamou que não estava gostando da nova escola pois o recreio era muito curto). Os próprios pais estão tendo que se orientar – a criança já vai ter a semana de prova. Sorte papai adorar “Natureza e Sociedade”, mamãe Português, e a matemática ainda não estar complicada. A “mãe histérica” aparece quando pergunta todos os dias se as crianças estão se enturmando, se o rendimento está satisfatório e se a adaptação é tranquila, mas não sabe fazer de outro jeito; tem que estar ligada em tudo.

No frigir dos ovos, como se diz popularmente, ainda é cedo, mas o saldo já está sendo positivo. Descobrir-se com novas potencialidades e capacidade adaptativa é um grande aprendizado. Abrir-se para outras possibilidades, mesmo que às custas de sair da zona de conforto, pode ser a oportunidade de alçar vôos mais altos e revela-se importante fator de crescimento. 

quinta-feira, 8 de março de 2012

O ESSENCIAL

A saga da multimulher continua...




Frequentemente se fala no quanto a mulher evolui ao longo dos anos e na influencia que esta mudança exerceu sobre a sociedade como um todo.  Inegável a gama de conquistas que alcançaram, passaram a ter voto, mais que isso voz; passaram a compor uma maior fatia do mercado de trabalho; cada vez mais assumem papéis de liderança.  É um movimento contínuo e ainda há o que conquistar, afinal além dos ganhos os novos tempos trouxeram novos problemas e novos questionamentos, mas também novas possibilidades.

O mundo (além das próprias mulheres) passou a ser mais exigente; daí o alterego multimulher tentando ser um polvo equilibrista e não se permitindo deixar cair nenhum dos pratos. Parafraseando a escritora americana Camille Paglia, neste ponto o feminismo enganou as mulheres; a busca pela igualdade entre os gêneros levou a sociedade a esperar que elas se comportem como homem e ainda seja capaz de sentir como mulher. A questão estética é um ponto nevrálgico nesta equação uma vez que se criam verdadeiras ditaduras com seus modelos padronizados e muitas vezes estereotipados.

Nadando contra a corrente, ou em verdade criando uma corrente distinta, muitas mulheres vêm se rebelando contra esse modus operandi adotando a tendência do natural, onde certamente menos é mais; corpos menos esculpidos, mais espontaneidade, maquiagem leve ou nenhuma e aceitação das marcas da vida. Alguns falam em resgate da simplicidade, e parece mesmo que voltar-se para sua essência passou a ser mais importante do que artificializar sua beleza. Não significa com isso que se cuidar ou ter à mão aquele batom coringa é over. O que esta mulher tem primado é pelo corte dos excessos. O interessante é que este movimento vai além da estética; valoriza-se também marcos naturais da vida feminina como a menstruação, a gestação, o envelhecimento e aquela sabedoria herdada da avó. O problema é radicalizar a posição e acabar caindo numa cilada às avessas.

O essencial é impalpável, mas está em tudo. Olhos outros que não os da face poderão ver e descortinar o que realmente importa: sentir-se feliz. De qualquer modo vale a sabedoria da vovó; nem tanto ao mar, nem tanto a terra. É preciso sim valorizar a essência, mas é possível fazer isto com algum glamour. No final a busca pelo equilíbrio vai sempre nortear as boas escolhas.