domingo, 20 de março de 2011

SOBRE AS PEQUENAS COISAS...


Pequenas coisas - 14 Bis

Um amigo me mandou um poema de Mário Quintana sobre encontrar a felicidade nas pequenas coisas, de forma mais realista, ao contrário de viver numa corrida sem fim atrás às vezes do impossível. Ele nos instiga a pensar na felicidade como algo de total simplicidade e que para ser alcançada é preciso que se perceba isto. Seu pensamento me chamou muito a atenção, até por ser algo de que tento me lembrar todos os dias. É o exercício do “carpe diem”; não deixar de ser feliz agora, com tudo de bom que já temos.

O que determina a dimensão das coisas, da importância dos nossos atos e dos acontecimentos? Chamar o que se vive no dia-a-dia de pequenas coisas é apenas um modo de falar, pois apesar de acontecerem corriqueiramente encerram em si o verdadeiro sentido de viver.  Toda mãe sabe o quanto é imensa a emoção da troca de olhar com seu filho enquanto o amamenta. É algo tão simples, e por outro lado tão ímpar. E o sorriso que ele abre quando o pai chega? Faz todo o sufoco do dia de trabalho inteiro passar a significar nada, afinal ao voltar para casa se ganha esse prêmio. Como não achar maravilhoso aquele friozinho na barriga dos primeiros encontros, quando não se sabe o que dizer, como se comportar e tudo é novo? O que dizer daquele pôr do sol incrível, daquela tarde despretensiosa no parque, um passeio de bicicleta, um jantarzinho com os amigos para jogar conversa fora, um mergulho no mar num dia quente de verão ou a primeira vez que tocou na neve? Me recuso a não valorizar estas coisas. Elas são o esteio do que nos faz sentir plenos, são os tijolos dos quais construímos nossa história pessoal.

O ritmo de vida do nosso tempo nos impele ao imediatismo, à velocidade, a valorizar o que nem sempre é fundamental, é uma época de excessos em que a sensibilidade se torna crucial para sabermos separar o essencial da perfumaria. Trata-se de mudar a ótica, alterar a perspectiva, passar a ver o mundo com olhos mais atentos ao que realmente nos impulsiona e nos motiva. Estamos afeitos a olhar o todo, a pensar no macro – para o bem e para o mal – é comum num relacionamento não enxergarmos os pequenos gestos, mas quando a relação se complica apontamos qualquer pequeno deslize. A mudança desta sintonia é imprescindível para se resgatar leveza de simplesmente ser feliz.

Não estou sugerindo que nos contentemos com pouco (não tomemos simples como simplório), isto definitivamente está fora de questão; o pensamento é sobre não se deixar iludir pela possibilidade distante só porque não se foi capaz de olhar em volta. A busca pelos nossos sonhos é absolutamente lícita, desde que este caminho seja trilhado com sabedoria, aproveitando o amor que sentimos pelo outro, as amizades que cultivamos ao longo da caminhada, as alegrias que são geradas pelos pequenos atos, enfim, não focalizar o pote de ouro no fim da estrada sem perceber as moedas que já surgiram à sua frente. No fim o que de fato permanece são essas ditas pequenas coisas, marcas indeléveis de que se soube aproveitar cada minuto de nossa rápida existência.

sábado, 12 de março de 2011

IRMÃOS



Uma das coisas que mais pensei quando tive minha primeira filha foi que ela precisava (e merecia) um irmão (independente do sexo). Hoje, ainda que elas sejam pequenas, já percebo a importância de uma na vida da outra. Esta certeza vinha da minha própria vivência com meus irmãos, por ter sido ela fomentadora de uma relação única e responsável por uma infância maravilhosa, tendo chance de trocar experiências, ter cumplicidade e partilhar o nascimento de suas próprias famílias.

O mês de Março sempre foi muito festivo em nossa casa, afinal de contas meus dois irmãos fazem aniversário. Por esta ocasião tenho resgatado lembranças que me são muito caras – em tudo tem um pouco deles. Apesar das diferenças de idade, o clima fraterno sempre foi privilegiado - com o mais velho um modelo por quem se pautar e com o mais novo uma relação quase maternal.   Além das festinhas, dos aniversários recordo também pelas traquinagens, já que o aniversariante aprontava o dia todo, talvez percebendo a passagem do tempo. Trazendo esse passado que está logo ali, sinto a força destes laços que dificilmente se encontra fora do ambiente familiar.

É impressionante como a leitura de uma mesma relação é distinta para cada irmão; são filhos dos mesmos pais, em tese criados do mesmo modo, porém são todos diferentes. Li recentemente um artigo de uma pedagoga que falava o quanto esta troca entre irmãos contribui para o desenvolvimento psicossocial. Cita um termo chamado outridade, que indica a força psicológica que o outro causa, daí a razão pela qual os irmãos acabam por moldar o comportamento entre si. A presença de um irmão proporciona a oportunidade de exercitar a resolução de conflitos e descobrir-se como indivíduo, além de auxiliar na inserção em determinados grupos sociais; com freqüência o irmão mais velho é cicerone do mais novo. O cuidar também é experimentado nesta relação, devendo ser uma via de mão dupla. É um vínculo extremamente duradouro mesmo que a distância se interponha, o qual valorizamos, tanto que o extrapolamos  do âmbito familiar buscando-o também na sociedade com os nossos amigos. Aqui cabe dizer que a relação com o irmão precisa ser bem cuidada e nisso os pais têm papel fundamental; como pontuou a psicóloga Lunalva Fiuza Chagas, muitas vezes mantemos uma intimidade e cumplicidade bem maior com um amigo do que com o próprio consangüíneo porque a ela é dispensado maior cuidado (pela possibilidade de rompimento). Com os próprios irmãos sentimos ser o laço indissolúvel podendo ser o tempo todo ameaçado sem risco de ruptura, contudo esta atitude pode criar um fosso que segue por toda a vida.

A convivência não é livre de tensão, briga-se pelo espaço, pelos brinquedos, pela TV e pelo computador, enfim tudo pode ser motivo de desacordo. Dizem os estudiosos do assunto que a convivência é mais amena com sexos opostos por não terem objetivos que se cruzam e sim caminham em paralelo, caso contrário é comum sobressair a competição. A sorte é que vamos todos crescendo e a forma de nos relacionarmos também se modifica; aquelas brigas aparentemente intermináveis se transformam no nosso formato de família, fortes e cooperativos, dando suporte nos momentos mais complicados e dividindo as alegrias. Faz parte de tudo isso seguir comemorando os aniversários e desejar felicidades em alto e bom tom.                                                  

sábado, 5 de março de 2011

DIA INTERNACIONAL DA MULHER


O dia 8 de Março foi escolhido como Dia Internacional da Mulher; e adotado pela ONU para lembrar as suas conquistas sociais e econômicas, bem como a discriminação ainda hoje presente nas várias sociedades. Teve origem na Rússia, numa época em que se estava contratando a mão de obra feminina em massa e as mulheres lutavam por “Pão e Paz” – contra as péssimas condições de vida e contra a entrada de seu país na Primeira Guerra Mundial. A data é o dia que, em 1857, operárias de uma fábrica americana fizeram uma greve por melhores condições de trabalho, redução da jornada de trabalho e equiparação com os salários dos homens (chegavam a receber um terço deste).   A manifestação foi reprimida com tal violência, que as tecelãs foram trancadas e a fábrica incendiada, provocando a morte de mais de uma centena de mulheres.

Este dia precisa ser lembrado, mais que isso comemorado, dada a sua importância. Muito foi feito pelas gerações de mulheres que nos antecederam; foram às ruas, deram “a cara à tapa”, queimaram soutiens em praça pública e hoje é possível experimentar a mudança. É por conta deste passado que se conseguiu uma inserção expressiva das mulheres no mercado de trabalho, mulheres ocupam uma posição familiar de maior poder de decisão (até porque com as mudanças no âmbito do trabalho houve ascensão no seu poder aquisitivo e muitas famílias passaram a ser chefiadas por elas). É também fruto deste passado o voto feminino, a possibilidade de ter mais e mais mulheres nos três níveis de poder e aqui no Brasil a inédita eleição de uma mulher para a Presidência da República.

Infelizmente o dia não merece lembrança apenas pelas conquistas, que apesar de não terem sido poucas, de forma alguma encerram a questão. Ainda hoje se luta pela equiparação salarial – por que motivo mulheres e homens em cargos semelhantes recebem uma média salarial diferente? Com o mundo globalizado se expõe cada vez mais as mazelas um dia ocultas, não sendo mais possível olhar apenas as questões mais próximas – mulheres ao redor do mundo ainda são inferiorizadas, mutiladas e castigadas por não terem o devido respeito aos seus “senhores”. O problema não é só criar leis, sem tirar sua importância (a exemplo da brasileira Lei Maria da Penha), mas mudar a mentalidade, e isto sim têm sido uma luta árdua.

Entre conquistas e lutas, no século XXI as mulheres se encontram numa verdadeira encruzilhada emocional – se por um lado é muito bom ter vez e voz, tomar as rédeas do seu destino também significou correria, jornada de trabalho tripla, múltiplos interesses, tudo em oposição àquela vidinha boa de ficar tricotando, decorando a casa, ensinando novas receitas para as amigas, cuidando das flores, estando presente na rotina das crianças, e pra falar a verdade, com domínio completo sobre a vida dos homens. Sem falar que os homens, revoltados, além de confusos (com tanta revolução feminina), resistem em mandar flores e abrir a porta do carro. E agora? Pedir as contas? Parar o trem, pois a gente quer saltar?

Longe de ter a resposta, seguimos tentando acertar, com apenas uma certeza: não vamos encampar uma guerra dos sexos; não é disso que se trata. Precisamos nos manter unidos por uma sociedade mais bacana, com mais oportunidades para todos, e para isso somos todos aliados.  Mulheres querem brigar pelo seu espaço, mas também ser cuidadas; deixar os homens fazendo o papel de “macho” da relação, mas sem querer “domar” o sexo oposto. Enfim, queremos poder ser e ter tudo. E porque não?

sábado, 26 de fevereiro de 2011

A sua pele de ébano



Por longo tempo o trabalho de Lázaro Ramos vem sendo aplaudido por todo mundo, merecedor  de mais uma justa homenagem, ainda mais por saber que por trás do artista tem um garoto que sonhou, acreditou firmemente no sonho e batalhou por ele, sendo um motivo de orgulho. Cada filme que entra em cartaz traz mais satisfação por ver a arte de representar desempenhada com tanta competência. O acesso imediato permitido pelas telenovelas também comprova a versatilidade deste baiano. Bairrismo? Sim, valorizar o que está próximo é obrigação. Falar de Lázaro já estava nos planos, até por não ter falado ainda pessoalmente. A capa da revista Época desta semana acabou criando a oportunidade.

A publicação se propõe a mostrar o que o sucesso  do ator Lázaro Ramos no papel de um playboy rico e sedutor revela sobre a ascensão dos negros no Brasil. Alçado ao posto de galã por um clichê já visto outras vezes, Lázaro Ramos vem sendo alvo de mais uma polêmica sem sentido – alguns se manifestam como se o personagem fosse sim uma bandeira, outros discutem se o tipo físico casa com o sedutor. Difícil de entender, já que o personagem em momento algum se posiciona como representante de um grupo, nem se está querendo vender a imagem do ator como o homem mais bonito do mundo. Verdade seja dita, se está gerando polêmica é porque não passa  despercebido. Ser ou não talhado fisicamente para o título com certeza não está tirando seu sono, mas a ocasião é boa para pontuar algumas questões.

Um ator deve ser dotado de múltiplos talentos, o principal deles, aquilo que torna possível viajarmos nas maravilhosas histórias do cinema, teatro e televisão, é a  capacidade de tornar o personagem crível. Fazer o público acreditar que aquele jovem designer é rico, pedante e pegador é a grande  missão deste profissional. Qualidade para isto Lázaro já mostrou ter de sobra. Outro aspecto a ser lembrado é a questão do estereótipo impresso há muito no imaginário coletivo – galã é um homem lindo (descordo totalmente, até em nome dos vários homens charmosos que já estiveram na posição) com traços finos mais nórdicos do que se vê no missigenado Brasil. Há ainda o hábito de verem sempre este artista em papéis mais ligados a produções de humor.   

Polêmicas à parte, como levantado pela reportagem de Época, a posição ocupada por Lázaro Ramos na trama novelesca é sintomática; sinaliza uma mudança real na inserção social e econômica dos negros. Isto se dá tanto na sensação geral de que um negro se destacar não é mais algo fora do comum quanto nos números que mostram maior percentual de negros nas faculdades, ascenção dos mesmos a grupos de maior poder aquisitivo e maior olhar dos diversos segmentos da indústria para este público. Muita coisa ainda precisa ser conquistada, contudo o maior acesso a educação tem permitido que as novas gerações sejam mais despidas de preconceitos (de todos os tipos), além de se observar cada vez mais mistura racial na população. A verdade é que, como diz a música Olhos Coloridos, todo brasileiro tem sangue crioulo. Esta simples constatação é suficiente para ampliar o campo de visão da nossa sociedade e fazer com que se revertam as situações de preconceito. Ser protagonisa desta, porque não dizer, re- evolução, ainda que sem pretensão, cabe bem a Lázaro que sempre se colocou de maneira reta diante destas questões. Mais uma salva de palmas para ele!

domingo, 20 de fevereiro de 2011

O PARADIGMA DA MULTIMULHER


O alterego Multimulher carrega consigo a força de muitas lutas ao longo da história pelo reconhecimento dos direitos femininos e da busca pelo equilíbrio entre os diversos papéis da mulher na sociedade. Ser multimulher está antenado com o mundo e dá a sensação de que se multiplica as chances de felicidade, ainda que com freqüência seja trabalhoso (mais mentalmente do que fisicamente).

Não é difícil encontrar multimulheres, mas se pensa imediatamente na mulher multitarefa, aquela capaz de preparar a reunião de trabalho, correr para deixar as crianças na escola, ir ao supermercado, ao cabeleleiro e ainda preparar aquele jantarzinho. Esta exaustiva rotina gera um nível de estresse que muitas vezes faz com que as coisas conquistadas com tanto trabalho sequer sejam aproveitadas.

A mulher multitarefa pode invadir o cotidiano da mulher comum sem ser notada, tamanha a cobrança que ela faz a si mesma; quando percebe está no olho do furacão, à beira de um ataque de nervos. Talvez seja um caminho natural da correria do dia-a-dia, ir abraçando de forma mecânica todas as tarefas para ser mulher, mãe e profissional. A intenção é a melhor possível; o desejo de todas é fazer o seu melhor e dar conta de tudo ao mesmo tempo; a questão é que a trama tecida por ela própria a aprisiona num ciclo vicioso que só é quebrado quando a corda estica ao ponto de exaustão.

É preciso entender que o enredo não tem que ser necessariamente esse. A verdadeira multimulher livra-se desta cilada e, como bem decodificou a jornalista Tatiana Bonumá em artigo recente, coloca-se como a multi-interessada. O termo trazido por ela consegue redimensionar o posicionamento feminino com o que ela batizou de “a nova revolução feminina”. Equivale a dizer que há interesse constante por tudo ao seu redor, porém priorizando os aspectos que lhe são mais caros, sabendo otimizar o tempo e mantendo a vida pessoal em ordem. Fazer essa revolução não é fácil nem óbvio, pelo contrário,  requer sair da linha de montagem e ser agente na própria vida. Com certeza toda essa transformação só é possível porque hoje se pode ter liberdade nas escolhas, principalmente de estar bem consigo mesma e se blindar contra todo tipo de cobrança. A multiplicidade de papéis ainda existe, contudo não há a culpa insana em não ser perfeita.

P.S.: este texto foi inspirado nas maravilhosas mulheres com quem convivo, em especial as aniversariantes da semana, Camila Lopes por estar mais uma vez operando transformações radicais em sua trajetória e Maria Lúcia pelo seu exemplo de mulher.

sábado, 12 de fevereiro de 2011

DESTINO: ARACAJU

Uma homenagem aos amigos Sergipanos e ao ramo da família que lá vive, depois de tantas viagens a Aracaju a trabalho, para falar do destino turístico. Bem apropriado pelo período de férias de verão, ainda mais para quem mora em Salvador, cidade-irmã, a apenas 356 quilômetros. É uma cidade de médio porte, tranqüila e extremamente agradável, que em muitos aspectos ainda guarda gostosas características de cidade do interior, daqueles lugares onde o visitante se sente em casa.

Como cidade litorânea que é, as praias são seu maior cartão-postal, a exemplo das lindas Praias do Saco e Abaís, sem falar na famosa Atalaia. A paisagem e a brisa do mar são muito convidativas, ao ponto de alguns apelidarem a cidade de Aracapulco. Já na chegada chama à atenção a encantadora orla, revitalizada recentemente e considerada o maior centro de entretenimento do Nordeste. A área conta com praça de eventos, Cidade da Criança, quadras esportivas, ciclovias e lagos para canoagem e passeios com pedalinhos, enfim, diversão para toda a família. Ali pertinho está o Centro de Cultura e Arte de Sergipe onde se pode conhecer o trabalho de artesãos locais, lindas tapeçarias, bordados e cerâmicas. Não se pode deixar de visitar o Oceanário, que abriga atividades do Projeto Tamar (iniciativa voltada para a preservação das tartarugas marinhas), e que exibe cerca de 70 espécies nativas em 18 aquários, inclusive com a possibilidade de se tocar algumas delas. Entre uma atração e outra, a pedida é se refrescar e deliciar em um dos buffets de sorvetes da área ou bebendo uma gelada água de côco, outra marca da região.



Aracaju não é apenas orla; o centro conserva prédios históricos que valem a pena ser visitados, como o Museu Olímpio Campos e o Mercado Municipal, complexo que abrange dois mercados agora reformados, ótima opção para lazer e cultura.  No Mercadão a castanha de caju é vedete, in natura e em todas as suas variações, além de doces e compotas de tipos variados. Também aqui se encontra peças em palha, como chapéus e bolsas de praia, o colorido das famosas redes, as picantes e aromáticas conservas de pimentas, artesanato em couro, esculturas e panelas em barro.

Nenhum passeio que se preze escapa de uma “orgia gastronômica” e em Aracaju não é diferente. Já que está na orla o caminho são os bares cujo carro-chefe é o caranguejo (na passarela de mesmo nome), cercado por uma infinidade de petiscos, dentre os quais o Amanda é o mais badalado.  Se o assunto é comida, pode-se experimentar sabores de várias partes do mundo, contudo o destaque é cozinha regional.  O Cariri é excelente opção, muito pela culinária, porém mais ainda por ser uma casa de forró das mais tradicionais.  A Gota Serena também se aventura nesta seara e arranca suspiros com sua carne do sol com pirão de leite e tapioca com os mais inusitados recheios.  Impossível deixar de fora da lista o aconchegante Mangará, que parece aquelas cozinhas de casa de fazenda, com seu fogão tilintando e exalando o cheirinho de deliciosas sopas e caldos, aipim, ovos mexidos e cuscuz.
O Parque da Cidade é outro passeio agradável e divertido, no qual se pode aproveitar uma brisa fresquinha em meio ao verde e o canto dos pássaros. Aqui se pode andar no teleférico que vai até um dos pontos mais altos da cidade (é possível ir de carro), chegando a um mirante com um vista incrível, ainda mais bela se no pôr do sol. A emoção no teleférico é garantida não só pela altura, mas também por passar por cima do Jardim Zoológico - com sorte a viagem ganha a trilha sonora do rugido do leão. 


No final a certeza de que valeu a pena e a vontade de voltar a Aracaju.

sábado, 5 de fevereiro de 2011

No fundo todas sonham em casar!

Que me dêem um pouco de crédito as feministas e lêia-se casar como encontrar alguém, aquele alguém, mesmo que não necessariamente com o sonho dourado (aliás branco) de um casamento com pompa e circunstância, véu e grinalda. Venhamos e convenhamos, o papel de esposa é uma das faces da multimulher e como tal é colocado num dos malabares para exercitarmos a delicada tarefa do equilíbrio. No imaginário da maioria tudo começa com "a cerimônia", e assim esta vem se transformando numa verdadeira indústria ao longo do tempo. Os fornecedores se multiplicam a cada ano; design, gráficas, subscritores e plastificadores de convites, as artesães dos bem-casados, especialistas em bolos de casamento, em topos de bolo, iluminadores, fotógrafos, floristas, DJs, cerimonialistas, ufa! Só levando um ano para juntar tudo isso num mercado que só faz crescer, em grande parte por lidar com uma coisa que nos é muito cara; um sonho. Personagem principal deste enredo, o vestido de noiva é alvo da atenção mais redobrada pois ele sintetiza o que cada noiva é, traduz seu estilo e cada uma quer ser distinta nessa hora. Na decisão pelo modelo se mostra  um pouco da história da época, alguns vestidos marcando a moda vigente, como os selecionados a seguir.

Audrey Hepburn - 1954



Elizabeth Taylor - 1950



Jackie Kennedy - 1953
Jackie Onassis – Setembro de 1953


Grace Kelly - 1956


Marylin Monroe - 1956



Priscila Presley - 1967


Lady Di - 1981



Victoria Beckham - 1999
Para o seu casamento em 1999 com David Bechham, Victoria escolheu este original modelo, com decote cai-cai.


Madonna - 2000



Angélica - 2004


Maria Fernanda Cândido - 2005


Luciana Gimenez - 2006


Juliana Paes - 2008


Princesa Mary (Dinamarca) - 2009


Princesa Victória (Suécia) - 2010

sábado, 29 de janeiro de 2011

O CAOS AÉREO EXISTE

“Já pintou verão, calor no coração, a festa vai começar...” e com ela o famoso caos aéreo. Talvez duvidasse que ele de fato existisse, quem sabe falácia de jornal, até ficar horas num saguão de aeroporto, sem ao menos terem a gentileza de dar satisfações ou exporem os motivos, aguardando um vôo atrasado, em companhia apenas de um laptopzinho através do qual se lança um grito no espaço agora. O pior é que os monitores exibem a mesma mensagem para diversos vôos – previsto para... Questionado, o funcionário da empresa aérea culpa o vilão da história, o Aeroporto de Congonhas, por onde passam a maioria das rotas e onde se concentram (e não se distribui) as informações que ele não sabe dar. Mas que entidade é essa, o Aeroporto de Congonhas? Do jeito que ele levou a culpa parece até gente, com vontade própria. Não seria ele fruto da total falta de infra-estrutura do transporte aéreo no Brasil?

Tudo começou a ser percebido pelo público geral em 2006, com o chamado apagão aéreo na greve branca dos controladores de vôo (são militares e a eles é vedado fazer greve de fato, portanto apenas seguiram as regras de segurança e diminuíram o número de aeronaves controladas por cada um). Em seguida veio o terrível acidente do Boing da Gol com o Legacy  americano, expondo de vez a crise vivida pelo sistema aeroportuário do país, assolado  pelo  crescimento do movimento de passageiros em ritmo acelerado em  contrapartida de uma redução dos investimentos oficiais no setor. Alguma coisa se vê nas reformas de aeroportos de cidades importantes, mas o controle de vôo, formação de equipes e equipamentos são deixados de lado (é a face que a população não vê).  Os controladores reclamam das condições de trabalho, da falta de pessoal, dos radares com zonas cegas e das comunicações falhas, elos de uma corrente pelo visto muito frágil. A administração desta rede é de responsabilidade da Aeronáutica, junto com a Infraero e a ANAC.  E a pergunta que não quer e não pode calar: faltam recursos para se investir no setor?   Tomando-se como base as taxas de embarque cobradas já se faz uma idéia de que o que não falta é dinheiro, o que leva a crer que mais uma vez trata-se de um problema de gestão.

Apesar de ser uma constatação mais do que habitual, é preciso expor que novamente quem paga a conta é o cidadão comum. Não só paga a conta literalmente, assim como paga tendo sua vida totalmente conturbada pelos atrasos que se acumulam em cascata; já pensou perder uma conexão ou uma viagem internacional planejada por meses?  Todo mundo tem uma história destas para contar. A outra ponta também é a falta de respeito das empresas aéreas para com os consumidores – além da falta de satisfação dada, praticam o famigerado overbooking e impera os interesses financeiros e não nas pessoas (se não vale a pena pousar pelo diminuto número de passageiros, cancela-se descaradamente o vôo, com passageiros já no aeroporto).                                                                                                                                                                                                                     
Enquanto isso os passageiros seguem protestando, em sua grande maioria de forma agressiva (cansaço, sono, fome, choro de crianças e outras potenciais razões), com aquele mesmo funcionário, que continua sem saber o que responder. É um bom momento para pesquisar sobre os direitos dos passageiros numa situação como esta. O PROCON sinaliza os direitos agora baseados na última resolução da ANAC, em que há uma tolerância de quatro horas para que comecem a valer tais direitos (de certa forma legitimam a forma abusiva com que as empresas trabalham). Controvérsias a respeito deste tempo à parte, o Instituto de Defesa do Consumidor (IDEC) trás sua cartilha de orientações, disponível no site (http://www.idec.org.br), destacando-se o que se segue:
Atrasos e cancelamentos de vôo – Direitos do consumidor
✔ Se o vôo atrasar ou for cancelado, o consumidor tem direito a:
● ter informações e orientações das companhias aéreas sobre
horários, procedimentos e direitos;
● receber assistência imediata (alimentação e, se for o caso, hospedagem e transporte terrestre) das companhias aéreas;
● desistir da viagem e ter o reembolso integral dos valores pagos à companhia aérea;
✔ Em caso de cancelamento, o Idec entende que o consumidor tem o direito de fazer a viagem por outros meios ou outras aeronaves por conta da companhia aérea.
✔ Se já estiver acomodado na aeronave e ocorrer o atraso, o consumidor pode, por motivo justificado (como perda de compromisso ou situações de urgência), pedir para sair da aeronave.
Como proceder
● Dirija-se ao balcão da companhia aérea e exija informações sobre o que está acontecendo e quais as providências serão adotadas (tempo de atraso etc.)
● Formalize reclamação nos postos de atendimento da ANAC (Agência Nacional de Aviação Civil), localizados nos aeroportos;
● Se não desejar mais viajar, dirija-se à empresa e formalize o pedido de desistência e reembolso da passagem e despesas efetuadas;
● Para receber a assistência a que têm direito (alimentação, hospedagem...), procure a empresa e faça a solicitação formal;
● Guarde todos os recibos e notas de alimentação, hospedagem, transporte etc. Estes comprovarão gastos e também o tempo de atraso;
● Para solicitação de ressarcimento, o consumidor deve inicialmente procurar a companhia aérea (de preferência enviando carta com Aviso de Recebimento). Caso o problema não seja resolvido, entrar em contato com órgãos de defesa do consumidor e, se mesmo assim não houver acordo, procurar a Justiça. É importante guardar todos os documentos relacionados ao compromisso ou atividade que seriam cumpridos no destino para averiguação e cobrança de eventuais prejuízos

Enfim, milhares de pessoas paradas nos aeroportos todos os dias, dormindo no chão e perdendo compromissos tornou-se, infelizmente, lugar comum.  Pelo menos alguns aproveitaram o tempo para escrever!

sábado, 22 de janeiro de 2011

SERENATA DO ADEUS


O poema Serenata do adeus fala da dor de amor, mas foi lembrado na vivência da morte de uma pessoa querida neste final de semana, dando início a uma jornada reflexiva importante. “Amar é se ir morrendo pela vida afora, é refletir na lágrima um momento breve de uma estrela pura cuja luz morreu”. A morte, apesar de inexorável à existência humana, continua sendo uma experiência dolorosa. A reflexão se deu em torno da total incapacidade de se estar preparado, sendo sempre um processo doloroso, talvez por colocar de frente o medo da própria morte ou por sempre trazer uma sensação de perda.


A crença religiosa e a espiritualidade em suas diversas formas fazem a aceitação ser possível. Por se entender que a vida não acaba aqui vislumbra-se que a morte é apenas uma passagem, embora sempre fique a saudade.  Chorar e extravasar toda a emoção do momento é natural pois é uma forma de viver o luto.    Ainda assim, não se pode considerar estar preparado para morte do outro (nem para a nossa, mas aí já é assunto para outro post).

Quando se fala sobre estar preparado para a morte pensa-se logo em, uma vez tendo-a como certa, não sofrer com ela. Veja que é impossível. Como dissociá-la daquela citada sensação de perda? Por outro lado, se o pensamento for viver de forma reta, fazer da convivência com as pessoas um ato de amor e não ter arrependimentos, estar preparado torna-se possível. É saber que aquele que partiu teve tudo de você, que nada ficou sem ser dito e que as coisas que nortearam aquela vida serão levadas adiante. 


Por fim revela-se uma certeza alentadora, que providencialmente embaça a provável nostalgia que o texto provocou, de que estar preparado é no fundo uma maneira de celebrar a vida.                                                           

sábado, 15 de janeiro de 2011

DESARME-SE



Na última segunda-feira fomos bombardeados por notícias sobre criminalidade em Salvador; diziam ser 33 homicídios num único final de semana. Não que se trate de uma novidade, porém quando esta realidade é esfregada nos seus olhos gera uma espécie de choque elétrico. Fiquei muito preocupada e verdadeiramente apreensiva, aliás como qualquer cidadão que se vê refém da violência, principal causa de morte nos dias de hoje.  Nestas horas pensamos logo em nossas crianças, em que futuro terão e no que é possível fazer para mudar esse cenário. Lembrei-me da campanha de desarmamento, uma iniciativa do poder público abraçada por parte da sociedade.

As estatísticas do Governo apontam que a campanha do desarmamento reduziu em 11% a mortalidade por armas de fogo entre 2003 e 2009. Seria natural imaginar que esta mortalidade  estivesse apenas relacionada a violência interpessoal, crimes passionais ou acidentes, mas trata-se de uma reação em cadeia, uma vez que  o armamento do cidadão comum com freqüência vai parar nas mãos dos criminosos. Seguindo este raciocínio, a redução da circulação de armas também serve para reduzir o arsenal bélico dos criminosos. Um aspecto que se explicita em relação ao desarmamento é que há  algo estranho  em se dizer que é preciso desarmar a população. Faz lembrar a constituição de regimes totalitários que já vimos na história da humanidade, mas é essencial focar na necessidade de reduzir a circulação de armas.

Falando em arsenal bélico, uma informação chama a atenção; o Brasil é o segundo maior produtor de armas leves do Ocidente, ficando atrás apenas dos Estados Unidos. Este mercado movimenta milhões de dólares, de acordo com informações do Instituto de Altos Estudos Internacionais de Genebra. O mesmo levantamento aponta que existem cerca de 17 milhões de armas leves em circulação no país, quase uma para cada dez habitantes. Deste total, 57% são ilegais ou sem porte, a maior parte delas com grupos criminosos (mais que o dobro do número  de armas da policia). Para a população é importante ressaltar que possuir uma arma traz uma falsa sensação de segurança, como cita  o  coordenador do Centro de Estudos em Criminalidade e Segurança Pública da Universidade Federal de Minas Gerais; e acrescenta “ a pessoa que porta uma arma se torna ainda mais vulnerável à violência”. Quanto aos criminosos, que como já foi dito, conseguem as armas principalmente roubando tanto de civis quanto das polícias, além de supostas exportações para posterior reintrodução ilegal, é preciso maior fiscalização e registro das armas no país, com controle também na compra (na tentativa de evitar que pessoas despreparadas as obtenham).

Em 2004 foi sancionado o Estatuto do Desarmamento, foi considerada uma iniciativa eficaz, e depois da última campanha em 2009, caiu no esquecimento. É verdade que em 2005 houve o referendo popular em que, apesar da alta taxa de abstenção, o povo votou contra – a maioria temerosa pela possibilidade de que o Governo não nos proporcione segurança pública e ainda nos tire a possibilidade de defesa – vejo o resultado como falta de uma discussão mais  profunda do assunto. Agora há uma retomada na questão; a campanha está sendo planejada pelo Ministério da Justiça em parceria com a Rede Desarma Brasil e será permanente a partir de 2011. As pessoas podem entregar as armas que tem em casa na Polícia Federal e receber uma indenização que varia de acordo com o modelo e data de fabricação das  mesmas.

Independente de iniciativas governamentais a sociedade precisa se desarmar, não só literalmente. É imprescindível fomentar uma cultura de paz, encontrar longe da violência  formas de resolução dos conflitos (um exemplo de como a mentalidade  influencia é o fato de  que países onde circula um maior número de armas do que o nosso tem níveis menores de violência). E se engajar na questão prática - Denis Mizne, diretor do Instituto Sou da Paz, constatou em entrevista: “se a maioria das armas está com civis, então é problema da sociedade e é ela que precisa entender sua gravidade”.