quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

BODAS DE CRISTAL

Ah ... o casamento... união voluntária de duas pessoas de onde se estabelece uma família. E lá se vão 15 anos, Bodas de Cristal.

Casamento não é fácil. No começo é muito querer e vaga noção do que será o convívio. Depois todos os sentimentos e expectativas vão sendo postos à prova e a longevidade vem para quem entende que envolve ceder, moderar, aceitar e muitas vezes procrastinar, mas felizmente também envolve amor, dedicação, parceria e cumplicidade. Sempre os dois lados - sou eu reclamando que você não me ouve, que só faz as coisas quando quer e que precisa ter mais atitude – é você reclamando que sou intempestiva, que tenho reações exageradas e que não sei lidar com as frustrações. E são justamente os contrastes que nos permitem nos completar. Por sorte vem junto eu dizendo o quanto você é carinhoso, marido dedicado e pai presente, e você a elogiar minha garra, determinação e o enorme coração.  Somos nós no nem sempre doce esforço de manter a velha chama acesa.


A rotina frequentemente é uma armadilha, mas o engraçado é que de alguma forma ela nos conforta. É claro que o friozinho na barriga não existe mais, o sabor das surpresas do desconhecido, a expectativa dos primeiros encontros. Agora entra em cena nossa capacidade de transformação, de dar um passo adiante e valorizar o amor das calmarias que pode e deve ser apimentado aqui e ali, basta querer estar junto e cultivar a sintonia. Até porque, chegam as crias e outro tipo de amor passa a transbordar na casa, aflora o melhor de nós, e fica mais complicado se pensar homem e mulher, pois somos invadidos pelo pai e pela mãe, viramos mais família, uma construção que quisemos para nós.


A verdade é que o tempo tem sido nosso amigo; nos ensinou a conhecer um ao outro, e sobretudo a saber o que esperar um do outro. Talvez o segredo, se é que existe, more exatamente neste ponto; nas expectativas dotadas do real e do concreto, longe do fantasiado um dia.  Isto permite, dentre outras coisas, que saibamos onde pisamos, e possamos compor nossas histórias pessoais, preservando interesses individuais, assim mantendo infinitas possibilidades de trocas entre nós e enriquecendo nossa relação.

Nem tudo são flores, as ausências existem, para o bem e para o mal (e hoje tenho a impressão de que soubemos tirar proveito delas), mas nos fortalecemos e chegamos até aqui. E reconheço em nós a alta qualidade e transparência do cristal. Que venham as características de todos os outros materiais que denominam as bodas – prata, rubi, ouro, diamante...sigamos equilibrando os diversos papéis, mantendo ativa a curiosidade mútua, a capacidade de rir junto, um do outro e um para o outro, entendendo as entrelinhas e as meias-palavras, secando as lágrimas que venham a cair, por tristeza ou por felicidade, afinal o combustível que nos move é o amor.

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